terça-feira, 18 de julho de 2017

#MandelaDay - 99 anos de Nelson Mandela



Líder. Guerrilheiro. Revolucionário.

Muito antes da imagem "paz e amor" que as pessoas costumam associar a Rolihlahla Mandela, existiu um homem que lutou, no sentido literal da palavra, pela libertação da África do Sul frente ao Apartheid, ao racismo e às injustiças sociais, primeiro em seu país, depois, em todo o continente africano, com seus ecos espalhando-se pelo mundo inteiro.

Na primeira página de sua autobiografia, Mandela diz:

"Fora a vida, um temperamento forte e uma conexão permanente com a casa real de Thembu, o único presente que meu pai me deu quando nasci foi um nome, Rolihlahla. Em Xhosa, Rolihlahla significa literalmente "arrancando o galho de uma árvore", mas coloquialmente, o significado mais preciso seria "encrenqueiro" [...]. Anos mais tarde, amigos e parentes atribuíram ao meu nome de nascença as muitas tempestades que tenho, ao mesmo tempo, causado e enfrentado. Meu nome mais conhecido em inglês [Nelson] não me foi dado até o meu primeiro dia de aula."


Hoje seria o 99º aniversário de Nelson Mandela. Um dia de celebração e reflexões. Viva Mandela!






"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.

Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?...Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você.
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".

(Nelson Mandela, em seu discurso de posse da Presidência da República da África do Sul, em 1994)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Angela Davis fará conferência na Universidade Federal da Bahia

Angela Davis discursando na Marcha das Mulheres, em janeiro deste ano.

Se depender do ânimo de vários grupos da comunidade universitária, a conferência da filósofa e ativista norte-americana Angela Davis, no salão nobre da Reitoria da UFBA, às 18 horas do dia 25 de julho, uma terça-feira, cumprirá o que anuncia em seu título: atravessará o tempo e entrará para a história.
Intitulada precisamente “Atravessando o tempo e construindo o futuro da luta contra o racismo”, a palestra resulta de uma parceria entre o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (NEIM/UFBA), com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), instituição que propôs a vinda da filósofa para ministrar um curso a um grupo de sua comunidade universitária, e a organização feminista Odara – Instituto da Mulher Negra.
A grande expectativa em torno da conferencista se dá, segundo a coordenadora do NEIM, professora Maíra Kubik, porque Angela Davis é referência mundial no enfrentamento antirracista e do pensamento crítico feminista na atualidade, ao mesmo tempo em que segue profundamente valorizada nos meios acadêmicos.
A professora Rosângela Araújo, também do NEIM, informa que, para atender à grande demanda prevista de público em Salvador, a UFBA  está providenciando transmissão direta da conferência pela TV UFBA, além de telões em três auditórios de unidades vizinhas à reitoria, no campus do Canela. O curso de Davis na UFRB, não aberto ao público, acontecerá dias antes da realização da palestra em Salvador – atividade que integra a programação do “Julho das Pretas”, cujo foco são as lutas das mulheres afro, latina, americana e caribenha.

Angela Davis: vida dedicada à defesa dos direitos da população negra e das mulheres.
A professora, filósofa, escritora e feminista, Angela Yvonne Davis, traçou uma trajetória de contribuição política nos Estados Unidos marcada pela luta em defesa dos direitos civis das pessoas negras e das mulheres, contra o encarceramento em massa do povo negro e pelo mundo sustentável.
Nasceu em 1944, no estado do Alabama, localizado no Sul dos Estados Unidos, onde havia forte segregação racial. Nos anos de 1970 destacou-se como militante comunista, membro do Panteras Negras e ganhou notoriedade ao ser ré de um dos mais controversos julgamentos criminais da história de seu país. Em consequência, no ano de 1978, recebeu o Prêmio Lênin da Paz. Já na década de 1980, ela candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos, mas não obteve êxito e continuou a carreira de ativista política, escrevendo diversos livros, principalmente, sobre as condições carcerárias no país.
Nos últimos anos, ela continua a realizar discursos e palestras, principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Atualmente, Davis defende a “democracia da abolição, que apenas será possível se dermos continuidade aos grandes movimentos em oposição à escravidão, ao linchamento e à segregação”. Para ela, “o desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, e sim identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas”.
Recentemente, Angela proferiu um discurso na Marcha das Mulheres [Women’s March] contra Donald Trump, realizada no último dia 21 de janeiro de 2017, em Washington (EUA).
A tradução deste discurso pode ser lida AQUI.

Fonte: ufba.br

terça-feira, 27 de junho de 2017

Russell Westbrook é eleito o MVP da temporada 2016/2017 da NBA


Com 42 triplos-duplos, e média com dois dígitos em três estatísticas, Russell Westbrook levou para casa o prêmio de MVP da temporada 2016-2017 da NBA.
Para ficar com o prêmio de melhor jogador da temporada regular, Westbrook bateu o recorde de Oscar Robertson, que teve 41 triplos-duplos em 1961-62, e acabou como o terceiro melhor na eleição daquela temporada, atrás de Bill Russell e Wilt Chamberlain.
Apesar da atuação impecável de Westbrook, o Oklahoma City Thunder terminou em sexto na Conferência Oeste. Assim, o camisa 0 tornou-se o MVP que teve a pior classificação da história da liga.
Westbrook foi seguido por James Harden, que foi o primeiro a terminar uma temporada com 2 mil pontos, 900 assistências e 600 rebotes. Em terceiro, veio Kawhi Leonard, do San Antonio Spurs, que recebeu o prêmio pelo bloqueio do ano, mas perdeu também a disputa para defensor da temporada.
O melhor jogador defensivo foi Draymond Green, primeiro atleta do Golden State Warriors a conquistar este prêmio, após ser superado duas vezes pelo jogador dos Spurs.
Ex-parceiro de Westbrook, Kevin Durant sagrou-se campeão pela primeira vez, ao se mudar para o Golden State Warriors.
Veja a lista completa dos premiados da temporada 2016-17 da NBA:
Rookie do Ano: Malcolm Brogdon, Milwaukee Bucks
Técnico do Ano: 
Mike D'Antoni, Houston Rockets
Melhor sexto homem: 
Eric Gordon, Houston Rockets
Jogador que mais evoluiu: 
Giannis Antetokounmpo, Milwaukee Bucks
Defensor do ano: 
Draymond Green, Golden State Warriors
MVP: 
Russell Westbrook, Oklahoma City Thunder

Prêmios adicionais:
Sager Strong: Monty Williams, San Antonio Spurs
Assistência à comunidade (votado por fãs e um painel de juízes):
 Isaiah Thomas, Boston Celtics
Companheiro do ano (votado por atletas):
 Dirk Nowitzki, Dallas Mavericks
Prêmio do espírito esportivo (votado por atletas): Kemba Walker, Charlotte Hornets
Jogador "mais intenso": Patrick Beverley, Houston Rockets
Prêmio por conquistas da carreira: Bill Russell, Boston Celtics
Executivo do ano (votado só por executivos): Bob Myers, Golden State Warriors
Prêmios em votos apenas de torcedores:
Jogada da vitória do Ano: Russell Westbrook, Oklahoma City Thunder
Fonte: ESPN

sábado, 10 de junho de 2017

Educação vai além de boas notas

Segundo a direção do Anchieta, "jovens podem se equivocar".

Sou professor da Educação Básica e a frase-título deste post é algo que falo a meus alunos e alunas frequentemente. Educação é muito mais que tirar notas altas nas avaliações. Notas são apenas rabiscos de caneta em pedaços de papel, não definem caráter, personalidade, as complexidades da cada indivíduo e nem mesmo o aprendizado.Tanto o Colégio Anchieta, de Salvador, quanto a Instituição Evangélica de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul me deram elementos suficientes para comprovar isso. Ambas são escolas "tradicionais" (leia-se brancas, de classe média/alta) e religiosas, a julgar pelos nomes, que afirmam "formar pessoas que vão mudar o mundo", mas provaram que sua única preocupação é a quantidade de pontos colecionados.

A instituição gaúcha realizou uma festa intitulada "Se nada der certo", em que os estudantes do 3º ano do Ensino Médio se "fantasiaram" de profissões consideradas "inferiores" às carreiras que eles desejavam seguir, como faxineiros, atendentes de fast food, mecânicos, porteiros etc.
Já a baiana, justamente na cidade mais Negra da América, com cerca de 80% da população, realizou o "Dia do Mico", evento em que os alunos poderiam escolher sua fantasia, e alguns deles tiveram a escolha infeliz de se vestir como a Ku Klux Klan, instituição racista estadunidense do século XIX que matou, torturou, estuprou e perseguiu um número incontável de Negrxs. Na foto acima, pode-se ver que há até uma saudação nazista. Em plena Salvador, Bahia, a "terra do branco mulato e do preto doutor".

Depois dessa, já deu tudo errado!


Não tenho o desprazer de conhecer nenhum deles, mas, a julgar pelo contexto que os cerca, pode-se depreender que seriam considerados "bem educados", por serem alfabetizados, tirarem boas notas e almejarem as primeiras vagas nas principais universidades do país e nos melhores postos de trabalho. Contudo, todos que participaram dessa patifaria mostraram que não estão prontos pra nada. Não conhecem o mundo real, para além dos seus muros e cercas elétricas. Não sabem o que é trabalho de verdade, pois sua renda vem de mesadas e, o que é pior, não veem nada de errado com a repercussão negativa, justamente por não enxergarem um palmo além do seu nariz.

Ambas as instituições de ensino têm a sua grande parcela de culpa. Como é que ninguém viu as "fantasias"? Como é que nenhum(a) professor(a), coordenador(a) ou diretor(a) acompanhou o processo nem verificou o tipo de material que seus estudantes levaram à escola? E se fosse uma arma, o que aconteceria? As escolas pecaram pela omissão, em nome da "imagem", e só se pronunciaram após a ampla repercussão dos fatos, caso contrário, permaneceriam em silêncio.
A família também está cada vez mais distante da vida dos estudantes. Muitos pais e mães "compram" o afeto dos filhos com celulares e tênis caros, e deixam que a TV e a internet os eduquem, se eximindo de sua obrigação.
"Fantasiado" de ambulante.


Educar vai além de treinar os estudantes para que façam boas provas no ENEM. As escolas devem se preocupar com a formação do indivíduo para a vida em sociedade, facilitar o desenvolvimento do senso crítico. É inaceitável que atitudes preconceituosas se perpetuem dentro do âmbito escolar, sem que haja uma intervenção rápida.

A naturalização do racismo e de todas as formas de preconceito, cada vez mais amparadas por projetos esdrúxulos, como o famigerado "escola sem partido", pela ausência da família na vida escolar e alimentada por "youtubers", apresentadores de TV, políticos e "intelectuais" vai comprometendo o senso de moral e de respeito às diferenças, criando pessoas que sabem encontrar o valor de X, sabem calcular a massa do Sol, mas são incapazes de compreender que elas não são superiores a ninguém.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

Pantera Negra - Liberado o primeiro trailer oficial do filme

Novo pôster do filme

Após ter liberado um pôster e um novo logo para Pantera Negra, a Marvel divulgou, durante as finais do NBA (um dos maiores eventos de basquetebol no mundo), o primeiro trailer do filme focado em T’Challa e a nação de Wakanda.
O personagem conquistou os fãs em Capitão América: Guerra Civil, filme no qual teve sua estreia cinematográfica, e agora o filme é um dos mais aguardados do estúdio, além de ser o primeiro filme do Universo Cinematográfico da Marvel com um protagonista africano. No elenco do filme, além de Chadwick Boseman como o herói titular, teremos Michael B. Jordan, Lupita Nyong’o, Danai Gurira , Martin Freeman, Daniel Kaluuya, Angela Bassett, Forest Whitaker e Andy Serkis.
Junto do poster e trailer, a Marvel também liberou uma nova sinopse do filme:
“Pantera Negra, da Marvel Studios, segue T’Challa que, após a morte de seu pai, o rei de Wakanda, retorna para casa, para sua isolada e tecnologicamente avançada nação africana para dar sucessão ao trono e tomar seu lugar como rei. Porém, quando um poderoso e antigo inimigo reaparece, o valor de T’Challa como rei – e Pantera Negra – é testado quando ele é levado para um grande conflito que coloca o destino de Wakanda, e de todo o mundo, em risco. Enfrentando traições e perigo, o jovem rei deve unir seus aliados e liberar todo o poder do Pantera Negra para derrotar seus inimigos e proteger suas pessoas e seu modo de vida”.
O trailer começa com o retorno de  Ulysses Klaue e Everett Ross, enquanto o vilão apareceu em Vingadores: Era de Ultron, Ross esteve em Capitão América: Guerra Civil. Klaue fala sobre como Wakanda não é um local de fazendeiros e um pais de terceiro mundo, dizendo que lá é conhecido como “El Dourado” e que ele é o único que a viu e saiu vivo. Temos então várias cenas incríveis de ação com o Pantera Negra e suas Dora Milaje, a guarda especializada do rei. Na narração, é dito que T’Challa é um bom homem, mas que “é difícil para um bom homem ser um rei”. 
Pantera Negra estreia nos cinemas dia 15 de fevereiro de 2018.
Confira o trailer abaixo:

Fontes: Legião dos Heróis/YouTube

quinta-feira, 1 de junho de 2017

LeBron James desabafa sobre ato de racismo: "Acontece todo dia"


Vítima de um ato de racismo, ao ter sua casa em Los Angeles pichada por vândalos, LeBron James não se calou. Na véspera da abertura das finais da NBA, a liga americana de basquete, contra o Golden State Warriors, o astro do Cleveland Cavaliers desabafou antes do treinamento realizado no ginásio do rival em Oakland, onde será o jogo 1 da série melhor de sete nesta quinta-feira, às 22h (de Brasília).
Pai de três filhos, LeBron considerou o ato mais uma chance de mostrar a eles como o negro ainda é tratado. Que mesmo com a admiração de muitas pessoas, ainda há quem resuma o fato há um questão de cor da pele ou origem.
"Isso mostra como o racismo sempre será parte do mundo, parte da América. E, você sabe, na América, especialmente contra afro-americanos, acontece todo dia. E por mais escondido que seja, mesmo que as pessoas se escondam, digam coisas sobre você, e sorriam na sua frente, é a vida" - disse LeBron.
Em seu discurso, o astro lembrou o caso do assassinato de Emmett Till, que morreu aos 14 anos de idade nos anos 50 por supostamente assobiar para uma mulher branca. O caso contribuiu para o crescimento do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos.

"Pensei logo na mãe de Emmett. Foi um das primeiras coisas que vieram na minha cabeça, e a razão pela qual ela exigiu que o caixão ficasse aberto era sua intenção em mostrar ao mundo o que o seu filho havia sofrido por um crime de ódio e por ser negro na América - comentou."
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Emmett Till, linchado, aos 14 anos, por, supostamente, assobiar para uma mulher branca.

Mesmo diante da situação, Lebron garantiu que se manterá concentrado para o jogo 1 da série.
Será o terceiro encontro seguido com os Warriors na final da NBA, com uma vitória para cada lado.

"No fim do dia, estarei concentrado para o jogo. Mas também sei que nesse momento da minha vida as prioridades estão em seus lugares, e o basquete vem depois da minha família. Na verdade, serve para que eu continue a ser um modelo para os jovens e em tudo que faço na minha fundação. Mas é algo que me coloca de volta ao meu lugar, e o basquete não é a coisa mais importante da minha vida" - afirmou.

Fonte: SporTV

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O Princípio da Reciprocidade


“Eu acredito na irmandade entre os homens, todos eles, mas eu não acredito em irmandade com alguém que não a quer comigo. Eu acredito que devemos tratar bem as pessoas, mas eu não vou perder meu tempo tentando tratar bem uma pessoa que não sabe retornar esse tratamento.” 

sábado, 20 de maio de 2017

As desigualdades sociais do Brasil em números e a importância das Ações Afirmativas


#Balanço2016: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua
O Rendimento Médio Real Habitual para o Brasil em 2016 foi estimado em R$ 2.029. Nas regiões Nordeste e Norte, foi registrado rendimento médio inferior à média nacional. Já no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o rendimento médio ficou acima do apurado para o país.
Quanto ao sexo dos trabalhadores, também foi registrada significativa diferença em 2016. O rendimento médio das mulheres não chegou a 78% do recebido pelos homens.
Quando analisamos por cor ou raça, o rendimento médio dos pardos e dos pretos correspondia, respectivamente, a 56,6% e 55,7% do rendimento dos brancos.
Mais informações sobre a pesquisa: http://bit.ly/PNADContínua_4tri16. Confira no álbum http://bit.ly/BalançoIBGE2016 outros posts do #Balanço2016.
Fonte: IBGE

A análise destes dados reflete a desigualdade histórica e o abismo sociorracial existentes no Brasil que, apesar de terem diminuído nos últimos anos, permanecem extremamente graves. Numa interseção rápida entre os indicadores, não é difícil observar que o homem branco do Sudeste recebe muito mais que a mulher Negra do Nordeste, por exemplo. Curiosamente, ele é quem mais reclama sobre a "injustiça das cotas" e sobre os "privilégios do Bolsa-Família", em que, na sua visão deturpada, as mulheres nordestinas engravidam propositalmente, em troca deste "benefício". Literalmente, o detentor deste tipo de discurso é "gente que vive chorando de barriga cheia", como diria Zeca Pagodinho, em Maneiras.
As políticas de Ações Afirmativas e de combate à pobreza, tais como o sistema de cotas, os programa de transferência de renda, as bolsas de estudo e o financiamento estudantil, por exemplo, são fundamentais, a priori, para diminuir os abismos entre as classes e as raças, embora estas não devam ser definitivas nem eternas. Como principal argumento contra essas medidas, os historicamente privilegiados argumentam que "somos todos iguais", mesmo que todos os indicadores digam o oposto. 
É preciso analisar os dados e observar a realidade em que vivemos de maneira mais ampla, antes de sair pela internet  emitindo opiniões "achológicas", baseadas meramente no preconceito ou no medo de uma inversão nesta pirâmide. Só que não dá pra esperar coerência de quem alimenta o racismo, o sexismo, a xenofobia e as desigualdades sociais, como se estes problemas não existissem.





quinta-feira, 18 de maio de 2017

domingo, 23 de abril de 2017

Sugestão de Leitura: "As Almas da Gente Negra", de William E.B. DuBois


Aproveitando que hoje é o Dia Mundial do Livro, "As Almas da Gente Negra", de William Edward Burghardt Du Bois, é um dos livros mais importantes da minha vida acadêmica e da minha formação enquanto homem Negro (foi com ele, inclusive, que aprendi a escrever "Negro" assim, sempre com a inicial maiúscula). "A sombra do Véu", é a metáfora perfeita que ele utiliza pra designar o racismo dos EUA entre o final do século XIX e o século XX. O muro que separava as oportunidades entre brancos e Negros. 

O "Véu" do racismo barra nosso progresso e limita nossas oportunidades, por mais que estejamos lutando contra ele há tanto tempo. Com esta analogia, DuBois afirmava que, não importa o quanto você seja uma pessoa boa no que faz, que possua caráter, dinheiro ou fama, a primeira coisa que muitas pessoas notarão e usarão contra você, se possível, é a cor da sua pele. É a primeira coisa que chega aos olhos de quem não te conhece. Foi o que justificou a escravidão por tantos séculos e o que autoriza as incursões violentas da polícia nas comunidades mais periféricas, enquanto o mesmo não acontece nos bairros mais nobres.

Um exemplo da "sombra do Véu" são os sistemáticos ataques a personalidades Negras que possuem algum tipo de projeção na mídia, como várias atrizes brasileiras e jogadores de futebol. A fama e o sucesso não os imunizaram contra o racismo. Nos Estados Unidos, Colin Kaeparnick, jogador de futebol americano, e Serena Williams, a maior tenista da história, também são alvos constantes. Outro bom exemplo é o "barulho" que muita gente faz por causa da política de cotas nas universidades e concursos públicos, mesmo que este sistema se justifique pelo déficit de pessoas Negras nestes espaços.

Outro ponto que merece destaque no livro são as Sorrow Songs, as "músicas de lamento" cantadas pelos trabalhadores Negros dos campos de algodão durante a escravidão, que sobreviveram e se reinventaram, dando origem a vários estilos musicais majoritariamente Negros, como a música Gospel, o Blues, o Jazz e o Rock. Ao início de cada capítulo, Du Bois traz um verso de alguma Sorrow Song.

Du Bois dizia que "o problema do século XX é o problema racial". Quase 50 anos após sua morte, este problema continua! Sigamos rasgando todos os Véus!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Como Ras Tafari, imperador etíope, passou a ser adorado na Jamaica

A coroação de Haile Selassie, em 1930, foi um evento global.

Quando se fala em rastafáris, provavelmente a primeira imagem que vem à cabeça de muitas pessoas é a do rei do reggae Bob Marley e seus rastas icônicos.
Mas além do famoso artista, há outro homem ainda mais importante no coração deste movimento - Ras Tafari. Esse foi o nome do último imperador da Etiópia, nascido em 23 de julho de 1892, mas ele adotou o nome real de Haile Selassie ao ser coroado.
Para os rastafáris, ele é Deus (Jah) encarnado, o messias redentor.
Mas como um imperador da Etiópia, cuja capital está situada a quase 13 mil quilômetros de Kingston, se tornou adorado na Jamaica?
O vínculo entre os dois, na verdade, está relacionado a um grupo de jamaicanos pobres que acreditavam que a coroação de Ras Tafari era o cumprimento de uma profecia e que ele era seu redentor, o messias: o "Rei dos reis, Senhor dos senhores".
Eles acreditavam que seriam libertados pelo imperador, que os tiraria da pobreza no Caribe e os levaria à África, a terra dos seus antepassados e um centro espiritual para os jamaicanos.

Quem era Ras Tafari?

Tafari era filho de um colaborador do imperador Menelik II, um dos governantes mais importantes da história da Etiópia, e casou-se com uma de suas filhas, Wayzaro Menen.
Desde a infância, sua inteligência chamou a atenção do imperador, que o ajudou a seguir carreira política. Quando a filha de Menelik II, a imperatriz Zauditu, morreu em 1930, seu protegido foi coroado imperador.
A coroação de Haile Selassie foi um evento esplendido e contou com a presença de autoridades do mundo todo.
Na época, o jornal The New York Times especulou que as celebrações haviam custado mais de US$ 3 milhões (R$ 9,5 milhões, em valores atuais). A revista Time dedicou a capa ao novo imperador, que logo se transformou em um fenômeno global.
Pouco depois da coroação, Selassie encomendou a primeira constituição escrita da Etiópia, que restringia em grande medida os poderes do parlamento.
Na prática, ele era o governo da Etiópia.
Segundo a constituição, a sucessão ao trono se restringia somente aos seus descendentes, e a pessoa do imperador era "sagrada, sua dignidade, inviolável e seu poder, indiscutível".
Mas, na Jamaica, Selassie estava se convertendo em algo mais do que um poderoso imperador.

A profecia de Marcus Garvey

O jamaicano Marcus Garvey nunca foi um rastafári, mas é considerado um profeta para os seguidores da religião.

"Olhem para a África, onde um rei negro vai ser coroado, anunciando que o dia da libertação estará próximo". Essa é a profecia que deu início a toda história, e foi feita por Marcus Garvey.
Ele era um ativista jamaicano que lutou pela mudança política e social em uma ilha que havia sido um centro importante durante o período da escravidão.
Depois da abolição, em 1833, a vida não melhorou muito para os antigos escravos, nem para seus filhos ou para as gerações seguintes.
Ainda não está claro se o "rei negro" a quem Garvey se referia era uma pessoa real, mas o mais provável é que se tratasse de uma figura simbólica.
Mas, quando as notícias da coroação de Haile Selassie em 1930 chegaram à Jamaica, muitos dos seguidores de Garvey fizeram uma associação que lhes parecia lógica: Ras Tafari era rei, e, portanto, o dia da libertação estaria próximo. Isso significava que eles deveriam se preparar para um êxodo para a África.
Apesar de Marcus Garvey nunca ter sido um rastafári, ele é considerado um dos profetas do movimento, e suas ideias formaram a filosofia rastafári.
"O 'garveyismo' se converteu em um tipo de nacionalismo militante que deu aos negros um sentido de identidade com o conjunto da África, numa época em que a independência estava em evidência", afirma Jabob Bauman, em uma publicação da Universidade do Estado de Washington, nos EUA.
Atualmente, as crenças dos rastafáris são muito diferentes.
Enquanto os primeiros seguidores da religião procuravam um retorno à África, declaravam que seu único deus era Haile Selassie e que a Etiópia era o verdadeiro Sião (sinônimo de terra de Israel, ou terra prometida), hoje muitos dão mais importância a um retorno "espiritual".
Segundo o autor da Enciclopédia Global das Religiões, Stephen Glazier, o movimento rastafári se converteu em parte a um estilo de vida, mais que uma religião, e as práticas também variam muito. Entre elas, se destacam o consumo ritual da maconha (ganja) e o reggae.

Visita à Jamaica

Selassie abandonou a Etiópia após a invasão de Mussolini e passou quase seis anos exilado.

 

Poucos anos após a coroação de Haile Selassie, a Etiópia se envolveu em uma guerra terrível. Em 1935, o líder italiano Benito Mussolini invadiu o país e Selassie partiu para o exílio.
Ele ficou cinco anos fora do país e somente em 1941 foi restituído como imperador, com a ajuda da Grã-Bretanha.
Em 21 de abril de 1966, ele finalmente visitou a Jamaica - e mesmo 36 anos depois de sua coroação, o entusiasmo dos rastafáris seguia intacto, com uma nova geração de adeptos que cultivavam a ideia de um êxodo para a o continente africano.
Selassie foi tomado pela recepção eufórica, e não fez nada para dispersar crenças sobre sua suposta condição divina. Garvey já estava morto, e suas críticas a Selassie por deixar o país em tempos de guerra já haviam sido esquecidas na Jamaica.
Mas no resto do mundo o julgamento sobre ele não foi unânime - embora Selassie quisesse projetar uma imagem de um imperador progressista, ele também enfrentou acusações de ser um ditador ganancioso.
Entre a multidão que apareceu para honrar e receber seu "Redentor", estava a esposa de um músico jamaicano de 21 anos, que tinha acabado de formar uma banda chamada The Wailers.
Seu nome era Robert Nesta Marley.

O rasta mais influente


Capa do disco Catch a Fire, de 1973.

Bob Marley foi o rastafári mais influente da história.
Ele nunca se classificou como profeta, embora muitas suas canções fossem consideradas com um caráter profético, e também nunca foi um líder, embora os seguidores o tratassem como tal.
Dois dos discos mais importantes da carreira de Marley - Catch a Fire, de 1973, e Natty Dread, de 1975, foram sucesso de vendas e estavam cheios de símbolos e motivos do rastafarianismo.
Na época do lançamento de Rastaman Vibration, em 1976, havia rastafáris em quase todas as cidades britânicas e em muitas partes dos Estados Unidos.
Jovens negros usavam o cabelo com os mesmos dreadlocks de Marley e vestiam roupas com as cores da bandeira etíope: verde, amarelo e vermelho.
Enquanto seus pais eram na maioria cristãos, jovens negros em cidades como Londres começaram a ser atraídos por uma teologia diferente, que incorporava a crítica política.

'Mentiras de Babilônia'


Selassie foi uma figura controversa: era venerado, mas também criticado por ganância

Enquanto isso, as coisas se complicavam para Selassie na Etiópia. Em 1973, uma forte crise de fome matou cerca de 200 mil etíopes.
Um ano depois, um grupo de militares do Exército com uma agenda marxista chamado Derg destronou o imperador após um golpe militar. Ele morreu em 1975, doente e encarcerado.
Sua morte foi descrita por seus seguidores como uma "desaparição", já que eles se negavam a acreditar que Selassie havia morrido.
E quando se falava sobre ele, a comunidade rastafári usava frequentemente a frase "mentiras de Babilônia". Muitos acreditavam que a estrutura dominada por brancos - chamada por eles de "Babilônia", havia espalhado uma mentira para tentar debilitar o crescente movimento rastafári.
Outros simplesmente rechaçaram a notícia afirmando que Jah, o nome rastafári para Deus, havia apenas ocupado temporariamente o corpo de Selassie. A morte "corporal" do imperador era tida como um sinal de que Jah não era apenas um ser humano, mas também um ente espiritual.
Uma terceira interpretação - e a mais aceita entre os rastafáris - se refere ao conceitos sobre a unidade essencial de toda a humanidade. Segundo esse princípio, ainda que habitemos corpos distintos, todos estamos unidos espiritualmente.
Pode ser que Haile Selassie já tivesse partido, mas vê-lo como um único deus é uma interpretação errônea do significado do rastafári: seu espírito está em todos nós e não pode ser extinto.
Segundo eles, desde que nascemos, somos todos corpos efêmeros, mas nossas almas seguem vivendo.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 29 de março de 2017

Verde, Amarelo e Vermelho



Somos mais, somos mais
Que as fronteiras artificiais

Somos mais, somos mais         
Que as fronteiras artificiais   

Que nos separam, nos dividem, dilaceram, como se não tivéssemos opção
Que matam a nossa cultura, colonizam nosso povo
E justificam a escravidão

Tentaram nos manipular, nos fazer acreditar
Que era um mal necessário
Que aliados milenares, quase em todos os lugares
Eram nossos adversários

Somos mais, somos mais
Que as fronteiras artificiais

Somos mais, somos mais         
Que as fronteiras artificiais   

Somos ligados pela nossa trajetória, juntos fomos arrancados de África
Galhos de uma mesma árvore, sementes espalhadas pela diáspora

Empodere-se, levante-se
Porque morrer de pé é melhor que viver de joelhos
União, prosperidade, Ubuntu, felicidade

Verde, amarelo e vermelho


sábado, 18 de março de 2017

Morre Chuck Berry, o "pai" do Rock And Roll, aos 90 anos


Chuck Berry, uma das lendas do rock n' roll, morreu neste sábado aos 90 anos. A informação foi confirmada pela polícia do Missouri, que respondeu a um chamado de socorro na casa de Berry, mas o guitarrista já não respondia mais aos cuidados médicos.
Ainda de acordo com a polícia, a família de Berry pede privacidade "neste momento de luto". A causa da morte deve ser confirmada posteriormente.
Muito antes de Elvis Presley, Chuck Berry já fazia Rock.
Natural de St. Louis, no Missouri, Charles Edward Anderson Berry começou a tocar ainda novo, e já se apresentava em público quando cursava o ensino médio. Depois de ser mandado para o reformatório entre 1944 e 1947 por assalto a mão armada, casou-se e começou a trabalhar numa fábrica automotiva. Influenciado no início dos anos 1950 por blueseiros como T-Bone Walker, aventurou-se em trios e parcerias até chegar a Chicago em 1955, onde fez os contatos que lhe permitiriam seguir profissionalmente na música.
Numa época em que a música negra dos EUA se fazia com variações de blues, Chuck Berry começou a inovar trazendo para o R&B seus solos de guitarra e letras que falavam do dia a dia dos jovens, além de seu jeito único de performance, que mais tarde serviria de influência a outra geração, a de Elvis Presley. Até hoje rádios no mundo todo tocam as versões de Berry para clássicos do começo do rock, como "Maybellene" (1955), "Roll Over Beethoven" (1956), "Rock and Roll Music" (1957) e "Johnny B. Goode" (1958).