sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

3 anos de Ufanisi!


Este ano, por motivos diversos, não pude me dedicar ao blog como gostaria, mas nunca me afastei daqui , e quero agradecer a todas as pessoas que abraçaram essa ideia desde 2010, que surgiu totalmente despretensiosa, mas alcançou pessoas que eu não imaginava ser possível.
Agradecer a ícones como Nelson Mandela e Bob Marley, inspirações para o UFANISI desde o primeiro dia de postagem. A pessoas que me inspiraram com sua simplicidade e me ensinaram a ver o mundo de uma forma mais positiva, como Mestre Roque, da Associação de Capoeira Ogunjá, em Santo Antonio de Jesus-BA. 
Aos que me mostram que devemos ser humildes, mas nunca devemos baixar a cabeça diante de uma injustiça, nem fechar os olhos ao que nos inquieta. Ter autoconfiança, autoestima, se amar da maneira que você é e saber reconhecer seus próprios méritos não podem ser confundidos com vaidade ou soberba.
A todos os professores e alunos que já tive e ainda terei, por, diariamente, me ajudarem a buscar o caminho para ser uma pessoa melhor.
 Que os bons exemplos superem os maus, e que a gente possa viver em um mundo mais justo. Que as nossas diferenças nos unam, em vez de nos separarem ainda mais. Que ninguém seja julgado ou maltratado por pensar, ter religião, opção sexual, raça/etnia/cor de pele, visão política ou time de futebol diferente daqueles que se julgam hegemônicos.
Desejo um 2014 plural a todos nós. Porque ser igual a todo mundo é muito chato. ;)


PROSPERIDADE

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Goodbye, Bafana!


Esta noite, eu perdi uma das minhas principais referências. O homem que inspirou, minha dissertação de Mestrado, este blog, minha tatuagem e a minha vida desde que o conheci. Nelson Mandela.
 Mais do que ter sido o primeiro presidente Negro da África do Sul, ele foi quem mais defendeu a ideia de que todos poderíamos viver em paz e ter direitos iguais, independente da cor de nossa pele. Um mundo livre e justo para todos, em uma época na qual pessoas brancas e Negras sequer podiam dividir o mesmo espaço.
Uma tristeza profunda me invade enquanto escrevo isso, mas, ao mesmo tempo, uma sensação de alívio, porque ele cumpriu sua missão na Terra, inspirou milhões de pessoas pelo mundo, contribuiu muito para a luta contra o racismo e agora, finalmente, pode descansar em paz, no alto de seus 95 anos. Seu reconhecimento foi feito em vida, através das centenas de prêmios, homenagens e cerimônias, entre eles, o Prêmio Nobel da Paz.
Graças à sua luta, podemos ver Negros ocupando cargos de poder em vários setores, sendo o mais emblemático, o fato de Barack Hussein Obama ter se tornado o primeiro presidente Negro dos Estados Unidos da América, uma das maiores potências econômicas, políticas e militares do planeta, e, diga-se de passagem, notadamente racista.
Infelizmente, contudo, também é triste constatar que, décadas depois do fim formal do apartheid, nós Negros aqui no Brasil continuamos a ser discriminados, recebendo menores salários do que os brancos, sendo invisibilizados pela grande mídia e tendo nossas tentativas de projeção na sociedade sufocadas, embora isso hoje aconteça em uma escala infinitamente menor do que durante seus anos de prisão. 
O Brasil é um país racista que não se reconhece enquanto tal. Espero que a partida de Madiba faça com que sejamos pessoas melhores, que possamos reconhecer o racismo enquanto doença e, assim, procurar uma cura definitiva para este mal. Que sua vida seja exemplo, e que um mundo menos injusto deixe de ser apenas utopia. 
Vá em paz, velho Madiba! Queria poder escrever algo à sua altura, expressar o quanto eu sou orgulhoso e agradecido por tudo, mas, nesse momento, me faltam palavras e me sobram lágrimas.


"A morte é algo inevitável. Quando um homem fez o que considerava ser o seu dever para com seu povo e seu país, pode descansar em paz. Creio que fiz esse esforço e que por isso, portanto, posso dormir por toda a eternidade." (Nelson Mandela, 18/07/1918 - 05/12/2013)