terça-feira, 20 de setembro de 2016

Camisa de jogador de futebol americano se torna a mais vendida após protesto durante hino nacional


Colin Kaepernick e Steve King, em seu protesto contra o massacre sistemático da população Negra nos EUA.

Pequenos gestos são capazes de gerar grandes repercussões. Colin Kaepernick se tornou notícia no mundo inteiro, após seus protestos antes do hino dos EUA se espalharem por outros jogadores e ligas profissionais de esportes de seu país. Como era de se esperar, há reações de setores conservadores (muitos, claramente racistas) e retaliações de alguns patrocinadores a vários atletas. Não é surpresa. Sempre foi assim. Qualquer reação Negra ao racismo é vista como "racismo ao contrário" (essa merda nem existe!). O bom é que, por outro lado, o fato de a venda de suas camisas dispararem significa que Kaepernick não está sozinho. Nenhum de nós jamais estará.

Por Amy Tennery
NOVA YORK (Reuters) - As camisas do jogador Colin Kaepernick foram as mais vendidas nesta terça-feira no site oficial da NFL, liga norte-americana de futebol americano, após ele protestar contra injustiças raciais e brutalidade policial nos Estados Unidos.
Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers, se negou a ficar em pé durante o hino nacional antes de jogo da pré-temporada em 26 de agosto e em um jogo na semana passada, gerando irritação e apoio de jogadores da NFL e fãs pelo país.
Em uma lista de todas as camisas disponíveis na NFLShop.com, a de Kaepernick era a primeira na área de "Mais Vendidas", superando as de jogadores novatos de alto perfil, como Carson Wentz, do Philadelphia Eagles, e Ezekiel Elliott, do Dallas Cowboys.
As vendas de camisas de Kaepernick aumentaram desde que ele iniciou seu protesto, de acordo com um relato da ESPN no fim de semana, que citava "uma fonte com conhecimento de números de vendas".
Kaepernick é o quarterback número dois dos 49ers, atrás de Blaine Gabbert, que foi selecionado para o elenco inicial na partida contra o Los Angeles Rams na quarta-feira.
Desde o início da manifestação, muitos torcedores disseram nas redes sociais que queriam comprar a camisa como sinal de solidariedade.
"Nunca assisti uma partida de futebol americano, mas acabei de comprar a camisa de Colin Kaepernick e irei usar com orgulho", disse na sexta-feira um usuário chamado Sean no Twiter.
"Preciso de uma camisa de Colin Kaepernick o mais rápido possível", tuitou Oliver Ellison na terça-feira. "(Ela) é icônica agora".
Fontes: Reuters/ UOL Esportes

“Eu não vou me levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime os negros e pessoas de cor. Para mim, isso é mais importante que futebol e seria egoísta da minha parte virar a cara. Há corpos na rua enquanto os responsáveis recebem licença remunerada e ficam impunes por assassinatos.”

(Colin Kaepernick, quarterback do San Francisco 49ers)

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Pan-Africanismo

Bandeira Pan-Africana


O Pan-Africanismo é uma ideologia que defende a união dos povos de todos os países do continente africano, no combate ao preconceito racial, à pobreza, à instabilidade e aos demais problemas sociais, como uma alternativa para tentar resolvê-los. 

Uma das propostas seria o remanejamento étnico, promovendo a união de grupos étnicos aliados, que foram separados pelo colonizador europeu, além do restabelecimento de práticas religiosas ancestrais e dos idiomas tradicionais, traços culturais que foram proibidos ou desencorajados durante a colonização.

Na realidade, o Pan-africanismo é um movimento de caráter social, filosófico e político, que visa promover a defesa dos direitos do povo africano, constituindo um único Estado soberano para africanos que vivem ou não na África.


A teoria pan-africanista foi desenvolvida principalmente pelos indivíduos na diáspora americana, descendentes de africanos escravizados e pessoas nascidas na África a partir de meados do século XX, como William Edward Burghardt DuBois e Marcus Mosiah Garvey, entre outros, e posteriormente levados para a arena política por africanos como Kwame Nkurumah. No Brasil, foi divulgada amplamente por Abdias do Nascimento.

Normalmente, se consideram Henry Sylvester-Williams e o Dr. William Edward Burghardt Du Bois como os pais da Pan-Africanismo. No entanto, este movimento social conta com várias vertentes, que têm uma história que remonta ao início do século XIX.  O Pan-Africanismo tem influenciado a África, a ponto de alterar radicalmente a sua paisagem política e ser decisiva para a independência dos países africanos. Ainda assim, o movimento tem conseguido dois dos seus principais objetivos: a unidade espiritual e política da África, sob o pretexto de um Estado único, e a capacidade de criar condições de prosperidade para todos os africanos.
A bandeira da Etiópia


Duas diferentes combinações de três cores são referenciadas como as Cores Pan-Africanas: verdedourado e vermelho, primeiramente usadas na bandeira da Etiópia, o único país que resistiu à colonização europeia, e o vermelhopreto verde, adotadas pela organização internacional sediada nos Estados Unidos, AUPN (do inglês, Associação Universal Para o Progresso Negro, fundada por Marcus Garvey, em 1 de agosto de 1914, na Jamaica). Como tal, são usadas em bandeiras e outros emblemas para representar o Pan-Africanismo, a identidade africana, ou os Negros, enquanto raça, como símbolo de orgulho, respeito e identificação.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O dia em que tentaram matar Bob Marley com tiro no coração

Bob Marley and The Wailers. Turnê de 1976.

Na noite de 3 de dezembro de 1976, sete homens armados entraram na casa do cantor de reggae mais famoso do mundo: Bob Marley. No pátio da casa, eles encontraram a esposa do cantor e compositor, Rita Marley, e, sem dizer nenhuma palavra, deram um tiro em sua cabeça.
Três deles cercaram a casa e os demais entraram na cozinha onde Marley conversava com os integrantes de sua banda, The Wailers, enquanto preparava uma salada de frutas. De acordo com a jornalista britânica Vivien Goldman, que estava na Jamaica na época, o que aconteceu foi uma cena de fuzilamento em câmera lenta.
Os homens dispararam contra os músicos. O sangue respingou nas paredes e formou poças no chão. Em meio aos gritos, um dos invasores apontou contra o peito de Marley e puxou o gatilho.
No total eles dispararam mais de 80 tiros. Mas, em um desfecho inacreditável, ninguém morreu naquela noite - ainda que as tensões tenham recrudescido no país.
Inacreditavelmente, apesar da violência do atentado, ninguém morreu naquela noite.

Jamaica, 1976


Mesmo 40 anos depois o episódio ainda é considerado obscuro e envolto em mistério. Na época, a Jamaica era um país oposto ao seu estereótipo atual. A ilha estava muito longe de ser um tranquilo paraíso caribenho. Em 1976, quem mandava eram os traficantes e pistoleiros; as tensões sociais estavam em seu ponto máximo e sob influência da Guerra Fria, além de ter estruturas políticas fragilizadas menos de duas décadas depois de sua independência do Reino Unido.
No mapa, a Jamaica está mais perto de Cuba do que Cuba está perto de Miami. E, na cartografia ideológica da década de 1970, Havana e Kingston eram vizinhas de Moscou.
O primeiro-ministro Michael Manley, do Partido Nacional do Povo (PNP), socialista e próximo de Fidel Castro, tentava a reeleição enfrentando Edward Seaga, do Partido Trabalhisa Jamaicano (JLP). Alguns ligavam Seaga à agência secreta americana, a CIA.
No meio desses extremos estava uma estrela mundial do reggae que tentava manter sua neutralidade, mas cuja música mobilizava centenas de milhares de eleitores.
"Os políticos são o diabo", disse Marley na época, de acordo com Mikal Gilmore, jornalista veterano da revista Rolling Stone . Os dois candidatos a premiê queriam que Marley fizesse campanha para eles. E, se ele não fizesse, o melhor seria é que ele ficasse em silêncio.

Ameaças


"Foi a época mais violenta que o país viveu, e Marley era praticamente a única força que poderia unir os dois grupos", explicou o escritor jamaicano Marlon James.
Em 1976, a fama mundial transformou o cantor de 31 anos em um líder quase espiritual de boa parte dos milhões de moradores da ilha.
O reggae tinha se transformado em uma expressão popular de um país pobre em que "as pessoas estavam cada vez mais desesperadas e violentas", segundo a jornalista Vivien Goldman. "A ilha parecia cheia de armas". O governo de Manley convenceu Marley a oferecer um show gratuito na capital, Kingston, para acalmar os ânimos da população que já estava cansada de viver em estado de emergência. O evento estava programado para o dia 5 de dezembro e se chamava Smile Jamaica ("Sorria Jamaica" em tradução livre).
Mas o primeiro-ministro também tomou outra decisão que parecia apenas confirmar a desconfiança do cantor em relação aos políticos: adiantou as eleições para o dia 15 de dezembro. E, dessa forma, ficou inevitável a associação entre Bob Marley e a campanha de reeleição de Michael Manley.
O cantor até alertou que, devido a essa manobra, as ameaças de morte contra ele aumentaram. Mesmo assim, Marley decidiu participar do show. Dois policiais foram designados para cuidar de sua casa, que também era onde o The Wailers ensaiava.
Mas na noite de 3 de dezembro, dois dias antes do Smile Jamaica, por alguma razão que até hoje ninguém conseguiu explicar, os sete homens armados entraram na casa de Marley sem que ninguém os impedisse. Os dois policiais simplesmente não estavam em seus postos.

'Sete Assassinatos'


Em apenas cinco minutos, os homens entraram na casa de Marley, dispararam contra todos e fugiram. Nunca foram capturados e nunca se soube quem eles eram ou para onde foram.
"É um mistério como esses homens, que talvez tenham cometido o crime mais temerário e doloroso da história da Jamaica, simplesmente desapareceram", contou o escritor Marlon James no site da editora Malpaso, que traduziu para o espanhol o livro que ele escreveu, A Brief History of Seven Killings (em tradução livre, Uma breve história de sete assassinatos).
No livro, James usa como ponto de partida o ataque contra Marley para mergulhar na vida dos bairros mais perigosos de Kingston, nos conflitos de raça e classe, nas guerras entre quadrilhas e nas conspirações de governo.
O resultado são quase 700 páginas nas quais se misturam as vozes de 76 personagens. Com elas, Marlon James venceu em 2015 o Man Booker Prize, talvez o prêmio literário mais famoso do idioma inglês.
De acordo com o jornal americano The New York Times, toda trama social explosiva daqueles anos girava em torno de Bob Marley, que ele tinha se transformado em uma espécie de santo para os oprimidos, um revolucionário para os conservadores e uma ameaça para os políticos.
A Jamaica nunca mais seria o lar que costumava ser.

'Salvo' por Selassie


Além de não saber como os sete homens conseguiram desaparecer, ainda não se sabe como Marley sobreviveu a um tiro no peito. O cantor sempre disse que foi salvo pelo espírito de Haile Selassie, o imperador da Etiópia morto no ano anterior (Para rastafáris como Marley, Selassie era a reencarnação de Deus. O uso dos cabelo "rasta" e da maconha também fazem parte desse movimento espiritual nascido na Jamaica).
"Se Marley, naquele momento, estivesse inspirando em vez de expirando, a bala teria atravessado seu coração", afirmou Marlon James.
A bala passou pelo peito de Marley e foi parar no braço esquerdo. Não houve tempo para um segundo disparo. No meio da confusão, Don Taylor, o agente do cantor, se jogou sobre ele, levando cinco tiros no abdome. Mas sobreviveu.
O caso mais incrível, no entanto, foi o de Rita Marley, a esposa de Bob. A bala disparada contra sua cabeça ficou presa entre seu couro cabeludo e o crânio sem fazer maiores danos.
Dois dias depois do ataque, ainda com curativos no peito e no braço, Marley se apresentou por mais de uma hora diante de mais de 80 mil pessoas no concerto Smile Jamaica. Rita o acompanhou, ainda usando a camisola do hospital.

'Exodus'


Poucos dias depois do show, Marley viajou. Foi para as Bahamas, aos Estados Unidos e depois para Londres. De certa forma, a Jamaica jamais voltou a ser seu lar como era antes.
Mas a tentativa de assassinato inspirou o que a revista americana Timeconsidera o melhor álbum de música do século 20, Exodus .
A primeira canção, Natural Mystic , diz:
Esta pode ser a primeira trombeta, pode ser também a última:
Muitos mais terão que sofrer,
Muitos mais terão que morrer.
No último minuto de um vídeo no YouTube, de imagens escuras e de má qualidade, é possível ver Bob Marley no fim da apresentação Smile Jamaica.
O cantor entrega o microfone a um companheiro de banda e se aproxima do público. Um policial faz a segurança.
Em frente à multidão, a lenda do reggae desabotoa a camisa devagar e mostra o ferimento a bala que cruzou seu peito chegando até ao braço esquerdo.

Marley continuou com esta bala alojada no corpo e na música até o dia de sua morte em 1981, com apenas 36 anos.
Fontes: Terra e BBC Brasil


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ubuntu!

Hoje, fiz minha quarta tattoo, pra variar, com uma temática relacionada à África. O mapa do continente africano abraça o Ubuntu, filosofia que solucionaria a maior parte dos conflitos e desigualdades do mundo, se fosse prática recorrente em todos os lugares.
Ubuntu é uma antiga palavra africana e tem origem na língua Zulu (pertencente ao grupo linguístico Bantu) e significa "eu sou, porque nós somos".
Ubuntu é uma palavra que apresenta significados humanísticos como solidariedade, a cooperação, o respeito, o acolhimento, a generosidade, entre muitas outras ações que realizamos em sintonia com a nossa alma (com o nosso ser interno), buscando o nosso bem-estar e o de todos à nossa volta.
"O Ubuntu não significa que uma pessoa não se preocupe com o seu progresso pessoal. A questão é: o meu progresso pessoal está a serviço do progresso da minha comunidade? Isso é o mais importante na vida. E se uma pessoa conseguir viver assim, terá atingido algo muito importante e admirável." (Nelson Mandela)

A vitória de um de nós é a vitória de todos nós!

sábado, 27 de agosto de 2016

IV Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro


Salve, povo Negro de Salvador!
A IV Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro vai sair do Largo dos Aflitos, às 15h da segunda-feira, dia 29/08.
Reaja ou será mortx!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Calendário Negro: 134 anos de morte de Luís Gama

Fonte da imagem: Correio Nagô

Patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, poeta, advogado, jornalista e um dos mais combativos abolicionistas de nossa história.
Nascido em Salvador-BA, Luís Gonzaga Pinto da Gama era filho da africana livre Luiza Mahin, uma das principais figuras da Revolta dos Malês, com um fidalgo branco de origem portuguesa, de uma rica família baiana, mas amante da boa vida e dos jogos de azar.
Depois que sua mãe foi exilada por motivos políticos, Luís, com apenas 10 anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo. Foi comprado pelo alferes Antonio Pereira Cardoso, proprietário de uma fazenda no município de Lorena. Em 1847, o alferes recebeu a visita do jovem estudante Antonio Rodrigues do Prado Júnior, que, afeiçoando-se a Luís, ensinou-o a ler e a escrever.
Em 1848, Luís Gama fugiu, pois sabia que sua situação era ilegal, já que era filho de mãe livre. Após seis anos de uma tumultuada carreira no exército, deu baixa no serviço militar em 1854. Dois anos depois voltou à Força Pública.
Luís Gama inaugurou a imprensa humorística paulistana ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo". Poeta satírico, ocultou-se, por vezes, sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás. Sua principal obra foi "Primeiras trovas burlescas de Getulino", de 1859, onde se encontra a sátira "Quem sou eu?", também conhecida como Bodarrada.
Autodidata, Luís Gama tornou-se advogado e iniciou suas atividades contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos. É dele a frase: "Perante o Direito, é justificável o crime do escravo perpetrado na pessoa do Senhor". Conhecido como o "amigo de todos", tinha em casa uma caixa com moedas que dava aos negros em dificuldades que vinham procurá-lo.
Influenciou grandes figuras como Raul PompéiaAlberto Torres e Américo de Campos mas morreu em 24 de agosto de 1882, sem ver concretizada a Abolição.
Ele bem que tentou cursar direito no largo São Francisco. "Mas a aristocracia cafeeira da época não permitiu, porque ele era negro", atesta Nelson Câmara, autor da biografia "Luiz Gama: O Advogado dos Escravos", publicada pela editora Lettera.doc em 2010. "Mesmo assim, era assíduo frequentador da biblioteca de lá." No prefácio do livro, o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, afirma que Gama foi "o negro mais importante do século 19".
Por complicações da diabetes, o abolicionista Gama, entretanto, morreria seis anos antes de a Lei Áurea ser promulgada. Dez por cento da população paulistana, de acordo com estimativas da época, compareceu ao seu enterro - São Paulo contava então com 40 mil habitantes.
A multidão começou a chegar ao Cemitério da Consolação, onde ocorreu o sepultamento, ao meio-dia - o enterro estava marcado para as 16h. Não houve transporte oficial para o cortejo fúnebre. Do bairro do Brás, onde ele morava, o caixão veio passando de mão em mão até chegar à sepultura, num gesto coletivo. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Fonte: Uol Notícias