domingo, 23 de abril de 2017

Sugestão de Leitura: "As Almas da Gente Negra", de William E.B. DuBois


Aproveitando que hoje é o Dia Mundial do Livro, "As Almas da Gente Negra", de William Edward Burghardt Du Bois, é um dos livros mais importantes da minha vida acadêmica e da minha formação enquanto homem Negro (foi com ele, inclusive, que aprendi a escrever "Negro" assim, sempre com a inicial maiúscula). "A sombra do Véu", é a metáfora perfeita que ele utiliza pra designar o racismo dos EUA entre o final do século XIX e o século XX. O muro que separava as oportunidades entre brancos e Negros. 

O "Véu" do racismo barra nosso progresso e limita nossas oportunidades, por mais que estejamos lutando contra ele há tanto tempo. Com esta analogia, DuBois afirmava que, não importa o quanto você seja uma pessoa boa no que faz, que possua caráter, dinheiro ou fama, a primeira coisa que muitas pessoas notarão e usarão contra você, se possível, é a cor da sua pele. É a primeira coisa que chega aos olhos de quem não te conhece. Foi o que justificou a escravidão por tantos séculos e o que autoriza as incursões violentas da polícia nas comunidades mais periféricas, enquanto o mesmo não acontece nos bairros mais nobres.

Um exemplo da "sombra do Véu" são os sistemáticos ataques a personalidades Negras que possuem algum tipo de projeção na mídia, como várias atrizes brasileiras e jogadores de futebol. A fama e o sucesso não os imunizaram contra o racismo. Nos Estados Unidos, Colin Kaeparnick, jogador de futebol americano, e Serena Williams, a maior tenista da história, também são alvos constantes. Outro bom exemplo é o "barulho" que muita gente faz por causa da política de cotas nas universidades e concursos públicos, mesmo que este sistema se justifique pelo déficit de pessoas Negras nestes espaços.

Outro ponto que merece destaque no livro são as Sorrow Songs, as "músicas de lamento" cantadas pelos trabalhadores Negros dos campos de algodão durante a escravidão, que sobreviveram e se reinventaram, dando origem a vários estilos musicais majoritariamente Negros, como a música Gospel, o Blues, o Jazz e o Rock. Ao início de cada capítulo, Du Bois traz um verso de alguma Sorrow Song.

Du Bois dizia que "o problema do século XX é o problema racial". Quase 50 anos após sua morte, este problema continua! Sigamos rasgando todos os Véus!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Como Ras Tafari, imperador etíope, passou a ser adorado na Jamaica

A coroação de Haile Selassie, em 1930, foi um evento global.

Quando se fala em rastafáris, provavelmente a primeira imagem que vem à cabeça de muitas pessoas é a do rei do reggae Bob Marley e seus rastas icônicos.
Mas além do famoso artista, há outro homem ainda mais importante no coração deste movimento - Ras Tafari. Esse foi o nome do último imperador da Etiópia, nascido em 23 de julho de 1892, mas ele adotou o nome real de Haile Selassie ao ser coroado.
Para os rastafáris, ele é Deus (Jah) encarnado, o messias redentor.
Mas como um imperador da Etiópia, cuja capital está situada a quase 13 mil quilômetros de Kingston, se tornou adorado na Jamaica?
O vínculo entre os dois, na verdade, está relacionado a um grupo de jamaicanos pobres que acreditavam que a coroação de Ras Tafari era o cumprimento de uma profecia e que ele era seu redentor, o messias: o "Rei dos reis, Senhor dos senhores".
Eles acreditavam que seriam libertados pelo imperador, que os tiraria da pobreza no Caribe e os levaria à África, a terra dos seus antepassados e um centro espiritual para os jamaicanos.

Quem era Ras Tafari?

Tafari era filho de um colaborador do imperador Menelik II, um dos governantes mais importantes da história da Etiópia, e casou-se com uma de suas filhas, Wayzaro Menen.
Desde a infância, sua inteligência chamou a atenção do imperador, que o ajudou a seguir carreira política. Quando a filha de Menelik II, a imperatriz Zauditu, morreu em 1930, seu protegido foi coroado imperador.
A coroação de Haile Selassie foi um evento esplendido e contou com a presença de autoridades do mundo todo.
Na época, o jornal The New York Times especulou que as celebrações haviam custado mais de US$ 3 milhões (R$ 9,5 milhões, em valores atuais). A revista Time dedicou a capa ao novo imperador, que logo se transformou em um fenômeno global.
Pouco depois da coroação, Selassie encomendou a primeira constituição escrita da Etiópia, que restringia em grande medida os poderes do parlamento.
Na prática, ele era o governo da Etiópia.
Segundo a constituição, a sucessão ao trono se restringia somente aos seus descendentes, e a pessoa do imperador era "sagrada, sua dignidade, inviolável e seu poder, indiscutível".
Mas, na Jamaica, Selassie estava se convertendo em algo mais do que um poderoso imperador.

A profecia de Marcus Garvey

O jamaicano Marcus Garvey nunca foi um rastafári, mas é considerado um profeta para os seguidores da religião.

"Olhem para a África, onde um rei negro vai ser coroado, anunciando que o dia da libertação estará próximo". Essa é a profecia que deu início a toda história, e foi feita por Marcus Garvey.
Ele era um ativista jamaicano que lutou pela mudança política e social em uma ilha que havia sido um centro importante durante o período da escravidão.
Depois da abolição, em 1833, a vida não melhorou muito para os antigos escravos, nem para seus filhos ou para as gerações seguintes.
Ainda não está claro se o "rei negro" a quem Garvey se referia era uma pessoa real, mas o mais provável é que se tratasse de uma figura simbólica.
Mas, quando as notícias da coroação de Haile Selassie em 1930 chegaram à Jamaica, muitos dos seguidores de Garvey fizeram uma associação que lhes parecia lógica: Ras Tafari era rei, e, portanto, o dia da libertação estaria próximo. Isso significava que eles deveriam se preparar para um êxodo para a África.
Apesar de Marcus Garvey nunca ter sido um rastafári, ele é considerado um dos profetas do movimento, e suas ideias formaram a filosofia rastafári.
"O 'garveyismo' se converteu em um tipo de nacionalismo militante que deu aos negros um sentido de identidade com o conjunto da África, numa época em que a independência estava em evidência", afirma Jabob Bauman, em uma publicação da Universidade do Estado de Washington, nos EUA.
Atualmente, as crenças dos rastafáris são muito diferentes.
Enquanto os primeiros seguidores da religião procuravam um retorno à África, declaravam que seu único deus era Haile Selassie e que a Etiópia era o verdadeiro Sião (sinônimo de terra de Israel, ou terra prometida), hoje muitos dão mais importância a um retorno "espiritual".
Segundo o autor da Enciclopédia Global das Religiões, Stephen Glazier, o movimento rastafári se converteu em parte a um estilo de vida, mais que uma religião, e as práticas também variam muito. Entre elas, se destacam o consumo ritual da maconha (ganja) e o reggae.

Visita à Jamaica

Selassie abandonou a Etiópia após a invasão de Mussolini e passou quase seis anos exilado.

 

Poucos anos após a coroação de Haile Selassie, a Etiópia se envolveu em uma guerra terrível. Em 1935, o líder italiano Benito Mussolini invadiu o país e Selassie partiu para o exílio.
Ele ficou cinco anos fora do país e somente em 1941 foi restituído como imperador, com a ajuda da Grã-Bretanha.
Em 21 de abril de 1966, ele finalmente visitou a Jamaica - e mesmo 36 anos depois de sua coroação, o entusiasmo dos rastafáris seguia intacto, com uma nova geração de adeptos que cultivavam a ideia de um êxodo para a o continente africano.
Selassie foi tomado pela recepção eufórica, e não fez nada para dispersar crenças sobre sua suposta condição divina. Garvey já estava morto, e suas críticas a Selassie por deixar o país em tempos de guerra já haviam sido esquecidas na Jamaica.
Mas no resto do mundo o julgamento sobre ele não foi unânime - embora Selassie quisesse projetar uma imagem de um imperador progressista, ele também enfrentou acusações de ser um ditador ganancioso.
Entre a multidão que apareceu para honrar e receber seu "Redentor", estava a esposa de um músico jamaicano de 21 anos, que tinha acabado de formar uma banda chamada The Wailers.
Seu nome era Robert Nesta Marley.

O rasta mais influente


Capa do disco Catch a Fire, de 1973.

Bob Marley foi o rastafári mais influente da história.
Ele nunca se classificou como profeta, embora muitas suas canções fossem consideradas com um caráter profético, e também nunca foi um líder, embora os seguidores o tratassem como tal.
Dois dos discos mais importantes da carreira de Marley - Catch a Fire, de 1973, e Natty Dread, de 1975, foram sucesso de vendas e estavam cheios de símbolos e motivos do rastafarianismo.
Na época do lançamento de Rastaman Vibration, em 1976, havia rastafáris em quase todas as cidades britânicas e em muitas partes dos Estados Unidos.
Jovens negros usavam o cabelo com os mesmos dreadlocks de Marley e vestiam roupas com as cores da bandeira etíope: verde, amarelo e vermelho.
Enquanto seus pais eram na maioria cristãos, jovens negros em cidades como Londres começaram a ser atraídos por uma teologia diferente, que incorporava a crítica política.

'Mentiras de Babilônia'


Selassie foi uma figura controversa: era venerado, mas também criticado por ganância

Enquanto isso, as coisas se complicavam para Selassie na Etiópia. Em 1973, uma forte crise de fome matou cerca de 200 mil etíopes.
Um ano depois, um grupo de militares do Exército com uma agenda marxista chamado Derg destronou o imperador após um golpe militar. Ele morreu em 1975, doente e encarcerado.
Sua morte foi descrita por seus seguidores como uma "desaparição", já que eles se negavam a acreditar que Selassie havia morrido.
E quando se falava sobre ele, a comunidade rastafári usava frequentemente a frase "mentiras de Babilônia". Muitos acreditavam que a estrutura dominada por brancos - chamada por eles de "Babilônia", havia espalhado uma mentira para tentar debilitar o crescente movimento rastafári.
Outros simplesmente rechaçaram a notícia afirmando que Jah, o nome rastafári para Deus, havia apenas ocupado temporariamente o corpo de Selassie. A morte "corporal" do imperador era tida como um sinal de que Jah não era apenas um ser humano, mas também um ente espiritual.
Uma terceira interpretação - e a mais aceita entre os rastafáris - se refere ao conceitos sobre a unidade essencial de toda a humanidade. Segundo esse princípio, ainda que habitemos corpos distintos, todos estamos unidos espiritualmente.
Pode ser que Haile Selassie já tivesse partido, mas vê-lo como um único deus é uma interpretação errônea do significado do rastafári: seu espírito está em todos nós e não pode ser extinto.
Segundo eles, desde que nascemos, somos todos corpos efêmeros, mas nossas almas seguem vivendo.
Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 29 de março de 2017

Verde, Amarelo e Vermelho



Somos mais, somos mais
Que as fronteiras artificiais

Somos mais, somos mais         
Que as fronteiras artificiais   

Que nos separam, nos dividem, dilaceram, como se não tivéssemos opção
Que matam a nossa cultura, colonizam nosso povo
E justificam a escravidão

Tentaram nos manipular, nos fazer acreditar
Que era um mal necessário
Que aliados milenares, quase em todos os lugares
Eram nossos adversários

Somos mais, somos mais
Que as fronteiras artificiais

Somos mais, somos mais         
Que as fronteiras artificiais   

Somos ligados pela nossa trajetória, juntos fomos arrancados de África
Galhos de uma mesma árvore, sementes espalhadas pela diáspora

Empodere-se, levante-se
Porque morrer de pé é melhor que viver de joelhos
União, prosperidade, Ubuntu, felicidade

Verde, amarelo e vermelho


sábado, 18 de março de 2017

Morre Chuck Berry, o "pai" do Rock And Roll, aos 90 anos


Chuck Berry, uma das lendas do rock n' roll, morreu neste sábado aos 90 anos. A informação foi confirmada pela polícia do Missouri, que respondeu a um chamado de socorro na casa de Berry, mas o guitarrista já não respondia mais aos cuidados médicos.
Ainda de acordo com a polícia, a família de Berry pede privacidade "neste momento de luto". A causa da morte deve ser confirmada posteriormente.
Muito antes de Elvis Presley, Chuck Berry já fazia Rock.
Natural de St. Louis, no Missouri, Charles Edward Anderson Berry começou a tocar ainda novo, e já se apresentava em público quando cursava o ensino médio. Depois de ser mandado para o reformatório entre 1944 e 1947 por assalto a mão armada, casou-se e começou a trabalhar numa fábrica automotiva. Influenciado no início dos anos 1950 por blueseiros como T-Bone Walker, aventurou-se em trios e parcerias até chegar a Chicago em 1955, onde fez os contatos que lhe permitiriam seguir profissionalmente na música.
Numa época em que a música negra dos EUA se fazia com variações de blues, Chuck Berry começou a inovar trazendo para o R&B seus solos de guitarra e letras que falavam do dia a dia dos jovens, além de seu jeito único de performance, que mais tarde serviria de influência a outra geração, a de Elvis Presley. Até hoje rádios no mundo todo tocam as versões de Berry para clássicos do começo do rock, como "Maybellene" (1955), "Roll Over Beethoven" (1956), "Rock and Roll Music" (1957) e "Johnny B. Goode" (1958).

segunda-feira, 6 de março de 2017

Calendário Negro: Há 60 anos, Gana tornava-se independente da Grã-Bretanha


Kwane Nkrumah sobressai-se entre os líderes africanos que no século XX enfrentaram determinadamente a escravatura colonial das potências europeias, luta pela qual sofreu perseguição e cárcere, e se converteu em um dirigente venerado em Gana e em todo o continente.
Quando se acercava a metade do século e depois do holocausto que significou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Reino Unido, uma das potências vencedoras contra o fascismo alemão, se empenhava em manter seu vetusto império colonial em solo africano.
Os povos do continente tinham dado sua contribuição à vitória. Milhares de seus filhos combateram palmo a palmo junto aos soldados dos exércitos vitoriosos, mas as metrópoles europeias que reclamavam liberdades para seus povos as negavam aos africanos.
A percepção no continente era diametralmente oposta à das autoridades coloniais. Os homens que regressavam do front traziam ideias reivindicativas e nesse contexto surgiram líderes que conduziriam a seus povos na luta pela independência.

GANA NA HISTÓRIA

Quase de imediato os portugueses extraíram ouro em grandes quantidades e por isso o território recebeu o nome de Costa do Ouro. O interesse mostrado por esse metal abriria as portas a uma exploração que se prolongaria durante quase cinco séculos.No século XV, os navegantes portugueses foram os primeiros europeus a chegar a África. Alguns traficantes chegaram à costa de Gana e estabeleceram fábricas comerciais criando-se os contatos iniciais entre a população autóctone e os estrangeiros.
Posteriormente, os europeus puseram sua atenção no comércio de especiarias e marfim; ainda que sem deixar de lado esse negócio, inclinaram-se pela venda de escravos, mais lucrativa.
Os navegantes portugueses no século XV também tinham chegado ao Brasil, que se converteu em sua única colônia na América, onde os africanos eram vendidos aos donos de plantações agrícolas para trabalhar no sistema escravista.
Dinamarqueses, franceses, holandeses e britânicos também assentaram seus pontos comerciais, protegidos por fortins contra os rivais europeus ou as sublevações da população autóctone.
O castelo de Elmira, construído pelos portugueses, servia ao mesmo tempo de armazem de escravos à espera de seu transporte a América. Na medida em que as potências europeias estabeleciam novas colônias nesse território e no Caribe, intensificava-se o comércio de escravos.
O comércio prolongou-se durante os séculos seguintes, em que milhões de africanos -homens e mulheres- foram arrancados violentamente das áreas ocidentais do continente, num tráfico desumano e atroz.


REINO UNIDO

Em 1821, Reino Unido impôs seu poderio naval e apoderou-se de toda a costa. Duas décadas mais tarde, em 1844, subscreveu um tratado com o rei dos ashantis, a tribo que tinha resistido com mais vigor à penetração europeia. Os acordos assinados com as metrópoles eram papéis inservíveis, pois foram esboçados com total desfaçatez.
Tanto o era que uns trinta anos depois, em 1874, Londres estabeleceu formalmente ali sua colônia da Costa do Ouro e mais tarde ocupou, violando o convênio, o reino dos ashantis e impôs no norte do país o Protetorado Britânico.
A ocupação britânica reforçou a opressão colonial, tal como sucedia nas demais posses. Eram pisoteados os direitos dos nativos, que viam partir para a metrópole suas riquezas enquanto sumiam numa contínua pobreza.
Em 1922, após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), depois da derrota de Alemanha, a parte ocidental de sua colônia do Togo passou às mãos britânicas e sua administração recaiu na Costa do Ouro.
Os domínios germânicos na África foram repartidos entre Reino Unido e França, o que significou o fim da presença colonial da Alemanha no continente.
Seguiram longos anos de exploração com ênfase especial no monocultivo do cacau, sob o controle de capitais britânicos e outros europeus. O país padecia um marcado atraso econômico, educacional e sanitário, com um alto índice de mortalidade.
Essa situação provocava o descontentamento popular e, alarmados, os colonialistas admitiram, em 1946, aos africanos no governo da Costa do Ouro, ainda que sem o resultado que esperavam.



KWAME NKRUMAH

Nkrumah (1909-1972) foi o homem que sintetizou as aspirações libertárias do povo e sua posição anticolonialista era conhecida entre os grupos partidários da independência.
Em 1947, fundou o Partido Convenção Unidade da Costa do Ouro, que tinha como objetivo canalizar a luta contra o domínio do Reino Unido e conseguir para seu país uma vida política independente.
A resposta das autoridades foi mandá-lo às masmorras coloniais. Seu encarceramento provocou irados protestos. Depois, nada seria igual para a coroa britânica, obstinada em manter um sistema repudiado na África e no mundo.
Após sua prisão em 1949, Nkrumah, à frente dos elementos mais progressistas do agrupamento constituiu o Partido Popular da Convenção e iniciou uma aberta oposição ao predomínio colonial. Durante 1950 e 1951, desenvolveu-se uma intensa campanha de resistência cívica, conhecida como ação positiva.
Nkrumah foi novamente encarcerado. Seu partido lutava pela unidade nacional e a luta contra a opressão. Numerosas manifestações públicas foram duramente reprimidas pelas tropas britânicas deixando saldos elevados de vítimas.
Os colonialistas viram-se obrigados a ceder. A pressão popular forçou a celebração de eleições gerais para uma Assembleia Legislativa. Do cárcere, Nkrumah obteve o triunfo de seu Partido por significativa maioria e libertado formou o governo. Em 1952, converteu-se em primeiro-ministro.
A parte ocidental do Togo, administrada desde 1922 pela Costa de Ouro, pediu a união ao país. Quando em 1957, se obteve a independência, o Estado adotou o nome ancestral de Gana. Ao proclamar-se a República, Nkrumah foi eleito presidente. Seu legado de luta não é esquecido em seu país nem na África.

Fonte: Pravda


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Mito de Hórus


Hórus é um dos deuses egípcios mais conhecidos. Como as antigas divindades egípcias eram antropozoomórficas (deuses que misturam características humanas e de animais), Hórus é conhecido como o deus-falcão. Por isso, simboliza o Sol, os céus e, desde o Antigo Egito, é um símbolo da realeza divina e o protetor do faraó reinante. No decorrer da história egípcia, Hórus foi pessoalmente identificado com o faraó, talvez porque o falcão podia voar através dos céus a grandes alturas e vigiar o império. Hórus também é associado a Rá, o principal deus egípcio do Sol, da vida e da criação.

Hórus era filho do rei Osíris com a rainha Ísis. A história de morte e ressurreição de seu pai simbolizava a imortalidade e o triunfo do Bem sobre o Mal. De acordo com o mito, Osíris era tão poderoso e estimado, que provocou ciúmes em seu irmão Set, que o assassinou e esquartejou, espalhando seus pedaços.

Ísis e sua irmã Néftis procuraram e juntaram pacientemente os pedaços de Osíris. Com a ajuda do deus Thot, a deusa Ísis conseguiu reconstruir seu corpo e o ressuscitou. Juntos, conceberam Hórus. 

Ao  tornar-se adulto, Hórus vingou a morte do pai, destronando Set e convertendo-se no novo rei do Egito. Na batalha, porém, Set arrancou um olho de Hórus, mas Thot o reconstituiu e este passou a ser um amuleto e símbolo de proteção muito popular até hoje. Os faraós reinantes eram associados a Hórus, enquanto os falecidos eram associados a Osíris.

A batalha entre Hórus e Set também representa a dualidade entre Luz e Trevas, Dia versus Noite, Fertilidade contra Aridez.

Olho de Hórus, também conhecido como udyat, é um símbolo que significa poder e proteção. O olho de Hórus era um dos amuletos mais importantes no Egito Antigo, e representação de força, vigor, segurança e saúde.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Roteirista de Dear White People agradece ao boicote em massa

Repercussão negativa do trailer da série produzida pela Netflix faz milhões de usuários do serviço de streaming cancelarem suas assinaturas.

A série Dear Wihite People ainda nem estreou é já gerou polêmica ao liberar seu primeiro trailer. Baseada no filme de mesmo nome (no Brasil conhecido como Cara Gente Branca) a adaptação produzida pela Netflix conta a história de um grupo de estudantes negros que enfrentam diariamente o preconceito racial dentro de uma universidade predominada por alunos brancos. Estes satirizam os negros através da prática da blackface, na qual pessoas brancas pintam seus rostos de preto como forma deboche.
Na semana passada, foi liberado oprimeiro teaser e em questões de minutos já choveram críticas negativas. Muitos usuários cancelaram suas assinaturas do Netflix como forma de protesto a uma série que promove o genocídio aos brancos.
No YouTube, o teaser já passa dos 4 milhões de visualizações, e mais de 380 mil usuários o marcaram com um "não gostei". Segundo o IMDB (Internet Movie Database), a série recebeu a nota 6,3, que se comparada com as demais é uma nota bem inferior.
Justin Simien, diretor do filme e roteirista da adaptação para a Internet, usou sua página no Facebook para agradecer e responder a todos que cancelaram suas assinaturas por considerarem Dear White People como uma série anti-brancos:
“Obrigado por me ajudarem a fazer o teaser da série se tornar o vídeo mais visto na história da Netflix!”
“A igualdade se sente como opressão aos privilegiados e, portanto, três palavras benignas devem enviá-los em uma luta por sua própria existência, mas eles não estão em perigo real. Qual é o meu papel como artista? Criar histórias. Histórias nos ensinam empatia. Eles nos colocam nas peles de outras pessoas. Todo o nosso conceito de realidade é baseado em histórias. Então conte a sua história. Diga a verdade inconveniente. É a única coisa que nos salvou”., declarou.
Dear White People tem co-produção da Lionsgate Television (a mesma das premiadas Orange Is The New Black e Mad Men: Inventando Verdades) e estreia no dia 28 de Abril na Netflix. Serão 10 episódios com a atriz Logan Browning, interpretando a protagonista Samantha White, e o ator Brandon P. Bell, repetindo o personagem Troy Fairbanks do filme.
Fonte: Blasting News