quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Calendário Negro: 134 anos de morte de Luís Gama

Fonte da imagem: Correio Nagô

Patrono da cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras, poeta, advogado, jornalista e um dos mais combativos abolicionistas de nossa história.
Nascido em Salvador-BA, Luís Gonzaga Pinto da Gama era filho da africana livre Luiza Mahin, uma das principais figuras da Revolta dos Malês, com um fidalgo branco de origem portuguesa, de uma rica família baiana, mas amante da boa vida e dos jogos de azar.
Depois que sua mãe foi exilada por motivos políticos, Luís, com apenas 10 anos, foi vendido como escravo pelo próprio pai, sendo levado para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo. Foi comprado pelo alferes Antonio Pereira Cardoso, proprietário de uma fazenda no município de Lorena. Em 1847, o alferes recebeu a visita do jovem estudante Antonio Rodrigues do Prado Júnior, que, afeiçoando-se a Luís, ensinou-o a ler e a escrever.
Em 1848, Luís Gama fugiu, pois sabia que sua situação era ilegal, já que era filho de mãe livre. Após seis anos de uma tumultuada carreira no exército, deu baixa no serviço militar em 1854. Dois anos depois voltou à Força Pública.
Luís Gama inaugurou a imprensa humorística paulistana ao fundar, em 1864, o jornal "Diabo Coxo". Poeta satírico, ocultou-se, por vezes, sob o pseudônimo de Afro, Getulino e Barrabás. Sua principal obra foi "Primeiras trovas burlescas de Getulino", de 1859, onde se encontra a sátira "Quem sou eu?", também conhecida como Bodarrada.
Autodidata, Luís Gama tornou-se advogado e iniciou suas atividades contra a escravidão, conseguindo libertar mais de 500 escravos. É dele a frase: "Perante o Direito, é justificável o crime do escravo perpetrado na pessoa do Senhor". Conhecido como o "amigo de todos", tinha em casa uma caixa com moedas que dava aos negros em dificuldades que vinham procurá-lo.
Influenciou grandes figuras como Raul PompéiaAlberto Torres e Américo de Campos mas morreu em 24 de agosto de 1882, sem ver concretizada a Abolição.
Ele bem que tentou cursar direito no largo São Francisco. "Mas a aristocracia cafeeira da época não permitiu, porque ele era negro", atesta Nelson Câmara, autor da biografia "Luiz Gama: O Advogado dos Escravos", publicada pela editora Lettera.doc em 2010. "Mesmo assim, era assíduo frequentador da biblioteca de lá." No prefácio do livro, o jurista Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, afirma que Gama foi "o negro mais importante do século 19".
Por complicações da diabetes, o abolicionista Gama, entretanto, morreria seis anos antes de a Lei Áurea ser promulgada. Dez por cento da população paulistana, de acordo com estimativas da época, compareceu ao seu enterro - São Paulo contava então com 40 mil habitantes.
A multidão começou a chegar ao Cemitério da Consolação, onde ocorreu o sepultamento, ao meio-dia - o enterro estava marcado para as 16h. Não houve transporte oficial para o cortejo fúnebre. Do bairro do Brás, onde ele morava, o caixão veio passando de mão em mão até chegar à sepultura, num gesto coletivo. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Fonte: Uol Notícias

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Lute como uma mulher! Primeiro ouro do Brasil na Rio-2016 é de Rafaela Silva!

Rafaela Silva exibe sua medalha de ourono judô.

A primeira medalha de ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é de uma carioca, nascida em uma favela e que começou a lutar em um projeto social. Rafaela Silva é a nova campeã dos leves (57kg) do judô, após bater a mongol Sumiya Dorjsuren, atual líder do ranking mundial, nesta segunda (08).
O técnico da brasileira, Mário Tsutsui disse que a luta mais difícil foi a da semifinal. "A luta mais difícil foi contra a romena, pelo Golden score, mas quando ela passou a romena e vimos a mongol ganhando, ficamos confiantes e sabíamos que ela tinha uma chance muito grande de ganhar a medalha de ouro”, comentou. 
Com sua família e amigos nas arquibancadas, Rafaela cresceu com a vibração do público e reverteu um histórico incomodo: em cinco lutas contra a asiática, tinha vencido apenas uma vez, no ano passado.
Na Arena Carioca 2, Rafaela Silva venceu a mongol com um wazari e levou a luta até o final atacando e até mesmo deixando de atacar algumas vezes, o que rendeu duas penalidades, aumentando ainda mais a tensão.
Rafaela Silva entra pra história das Olimpíadas, por conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil.

A história da campeã olímpica 

Aos seis anos, Rafaela saiu da Cidade de Deus, a comunidade carente e violenta que ficou famosa com o filme homônimo de Fernando Meireles, para se tornar a melhor judoca que o Brasil já teve. Em 2013, ela foi campeã mundial, também em sua casa, no Rio de Janeiro. Nenhum outro judoca do país tem títulos olímpicos e mundiais. Sarah Menezes, Aurélio Miguel e Rogério Sampaio têm ouros olímpicos, mas nunca venceram Mundiais. João Derly (duas vezes), Tiago Camilo, Luciano Correa e Mayra Aguiar tem o Mundial, mas não o ouro olímpico.
A história da judoca começou em uma academia montada em sua rua, quando tinha cinco anos e seus pais buscavam uma atividade para acalmar a menina brigona. O destino fez com que Geraldo Bernardes, o técnico de Flavio Canto, medalhista de bronze dos Jogos de Atenas-2004, se interesse pela garota. Ela foi treinar no Instituto Reação, que Bernardes e Canto criaram para ensinar judô em comunidades carentes.
Em 2008 o trabalho já dava resultado, com o título mundial sub-20. Em 2009, foi a melhor brasileira no Mundial de Roterdã, com um quinto lugar. Em Londres-2012, porém, ela quase deixou o esporte. Eliminada por tentar um golpe ilegal, ela foi bombardeada com mensagens racistas em redes sociais. Reagiu. Quando chegou no Brasil, queria abandonar o esporte.
A família, Bernardes, Canto e uma psicóloga não deixaram. No ano seguinte, ela já era campeã mundial e líder do ranking da Federação Internacional de Judô. Nos últimos três anos, subiu ao pódio em quase todos os torneios que disputou. A primeira medalha do judô na Rio-2016 não poderia vir de uma candidata melhor.
Fonte: Uol Esportes

Pogba, enfim, põe negros no topo dos mais caros da história do futebol

O retorno de Paul Pogba ao Manchester United o consagrou como o jogador mais caro da história do futebol.

Com a volta agora oficializada ao Manchester United, o francês Paul Pogba tornou-se o jogador mais caro da história do futebol, custando, de acordo com a imprensa inglesa, 110 milhões de euros / 93,3 milhões de libras (cerca de R$ 386,1 milhões).
É a primeira vez que um atleta negro ocupa a ponta da lista, que antes tinha o galês Gareth Bale como líder, por 93,1 milhões de libras (R$ 385,3 milhões).



Além de Pogba, só há mais um negro entre as 20 transferências mais caras de todos os tempos: o meia Sterling, que trocou o Liverpool pelo Manchester City por 55,2 milhões de libras (R$ 228,5 milhões).
Os outros 17 nomes são todos brancos: Cristiano Ronaldo, Higuaín, Luis Suárez, Neymar, James Rodríguez, Ibrahimovic, Di María (duas vezes), Kaká, De Bruyne, Cavani, Falcao García, David Luiz, Fernando Torres, Tevez, Zidane e Hulk.
Revelado pelo próprio Manchester United, Pogba saiu por menos de 1 milhão de libras para a Juventus, na qual tornou-se um dos destaques e passou a ser um dos jogadores mais cobiçados do futebol europeu - seu nome foi apontado também no Manchester City, Real Madrid, Barcelona e Paris Saint-Germain.
Em quatro anos na Itália, o volante faturou quatro edições do Italiano, duas da Copa da Itália e um vice da Uefa Champions League. Neste período, virou titular absoluto da seleção francesa, tendo feito parte do time vice-campeão europeu neste ano.
O jogador de 23 anos é o quarto reforço dos Red Devills para a temporada, que agora é comandado por José Mourinho. Antes dele, chegaram o zagueiro Eric Bailly, ex-Villarreal, o meia Henrikh Mkhitaryan, ex-Borussia Dortmund, e o atacante Zlatan Ibrahimovic, ex-PSG.
O curioso é que na transferência de Pogba uma parte do valor deve ir para o próprio Manchester United. De acordo com o mecanismo de solidariedade da Fifa, que foi criado para favorecer o formador de um atleta, o clube britânico tem direito a 1,5% da fatia por ter contado com o volante na base.
Ele ficou entre 2009 e 2012 na equipe, o que dá direito a 0,5% por ano.

Fonte: ESPN

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Calendário Negro: 80 anos do ouro de Jesse Owens em plena Alemanha nazista


Em 3 de agosto de 1936, o jovem negro norte-americano Jesse Owens contrariava Adolf Hitler ao derrotar seu companheiro de equipe, também afro-americano, Ralph Metcalfe, e ganhar os 100 metros rasos em impressionantes 10,3 segundos. A cena ocorreu no terceiro dia dos Jogos Olímpicos de Berlim, evento que havia sido projetado pelos nazistas para mostrar ao mundo a superioridade da raça ariana. 


Jesse Owens superou todas as barreiras em Berlim, conquistando quatro medalhas de ouro: 100m e 200m rasos, no salto em distância e no revezamento 4x100 m. Isso tudo em solo nazista, onde os funcionários do Reich chegaram a classificar os atletas negros de “não humanos”. 



Anos mais tarde, em sua biografia, Owens afirmou que o que mais o magoou, contudo, foi o fato de o presidente americano Franklin Delano Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o por suas conquistas na olimpíada. Naquela época, também havia um forte sentimento racista nos Estados Unidos.



Fontes: History e Enciclopédia do Holocausto

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Oportunidade


Não se pode disputar uma corrida em pé de igualdade, quando se larga com 400 anos de desvantagem. Quando precisa lutar contra o racismo ou contra a violência e as desigualdades sociais.
Quando se é invisibilizada ou sub-representada pela mídia, quando seus traços físicos naturais não correspondem ao padrão estético estipulado pela sociedade hegemônica.
Quando se é marginalizada ou vendida apenas como um produto pronto para ser consumido, como se fosse apenas um corpo, sem alma, sem ambições, questionamentos ou posições políticas.
As mulheres vivem em constantes desafios para buscar seu espaço numa sociedade machista e excludente, mas as mulheres Negras vivem um desafio ainda maior que as demais. 
Não que exista algum tipo de "ranking" pra isso, mas, além de todos os problemas enfrentados pelas mulheres brancas, as Negras ainda precisam lidar com a violência (simbólica e física) do racismo e com tudo de ruim que vem com ele.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O discurso de Michelle Obama

O discurso era em apoio à candidatura de Hillary Clinton à presidência dos EUA, mas o destaque foi todo dela.

"Essa é a história desse país.
A história que me trouxe a este palco esta noite. 
A história de gerações de pessoas que sentiram os chicotes da escravidão, a vergonha da servidão e a dor da segregação, mas que continuou se esforçando, desejando e fazendo o que precisava ser feito, para que hoje eu acorde todo dia em uma casa construída por escravos, e veja minhas filhas, duas jovens e inteligentes Negras, brincando com seus cachorros no jardim da Casa Branca."