sábado, 18 de março de 2017

Morre Chuck Berry, o "pai" do Rock And Roll, aos 90 anos


Chuck Berry, uma das lendas do rock n' roll, morreu neste sábado aos 90 anos. A informação foi confirmada pela polícia do Missouri, que respondeu a um chamado de socorro na casa de Berry, mas o guitarrista já não respondia mais aos cuidados médicos.
Ainda de acordo com a polícia, a família de Berry pede privacidade "neste momento de luto". A causa da morte deve ser confirmada posteriormente.
Muito antes de Elvis Presley, Chuck Berry já fazia Rock.
Natural de St. Louis, no Missouri, Charles Edward Anderson Berry começou a tocar ainda novo, e já se apresentava em público quando cursava o ensino médio. Depois de ser mandado para o reformatório entre 1944 e 1947 por assalto a mão armada, casou-se e começou a trabalhar numa fábrica automotiva. Influenciado no início dos anos 1950 por blueseiros como T-Bone Walker, aventurou-se em trios e parcerias até chegar a Chicago em 1955, onde fez os contatos que lhe permitiriam seguir profissionalmente na música.
Numa época em que a música negra dos EUA se fazia com variações de blues, Chuck Berry começou a inovar trazendo para o R&B seus solos de guitarra e letras que falavam do dia a dia dos jovens, além de seu jeito único de performance, que mais tarde serviria de influência a outra geração, a de Elvis Presley. Até hoje rádios no mundo todo tocam as versões de Berry para clássicos do começo do rock, como "Maybellene" (1955), "Roll Over Beethoven" (1956), "Rock and Roll Music" (1957) e "Johnny B. Goode" (1958).

segunda-feira, 6 de março de 2017

Calendário Negro: Há 60 anos, Gana tornava-se independente da Grã-Bretanha


Kwane Nkrumah sobressai-se entre os líderes africanos que no século XX enfrentaram determinadamente a escravatura colonial das potências europeias, luta pela qual sofreu perseguição e cárcere, e se converteu em um dirigente venerado em Gana e em todo o continente.
Quando se acercava a metade do século e depois do holocausto que significou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Reino Unido, uma das potências vencedoras contra o fascismo alemão, se empenhava em manter seu vetusto império colonial em solo africano.
Os povos do continente tinham dado sua contribuição à vitória. Milhares de seus filhos combateram palmo a palmo junto aos soldados dos exércitos vitoriosos, mas as metrópoles europeias que reclamavam liberdades para seus povos as negavam aos africanos.
A percepção no continente era diametralmente oposta à das autoridades coloniais. Os homens que regressavam do front traziam ideias reivindicativas e nesse contexto surgiram líderes que conduziriam a seus povos na luta pela independência.

GANA NA HISTÓRIA

Quase de imediato os portugueses extraíram ouro em grandes quantidades e por isso o território recebeu o nome de Costa do Ouro. O interesse mostrado por esse metal abriria as portas a uma exploração que se prolongaria durante quase cinco séculos.No século XV, os navegantes portugueses foram os primeiros europeus a chegar a África. Alguns traficantes chegaram à costa de Gana e estabeleceram fábricas comerciais criando-se os contatos iniciais entre a população autóctone e os estrangeiros.
Posteriormente, os europeus puseram sua atenção no comércio de especiarias e marfim; ainda que sem deixar de lado esse negócio, inclinaram-se pela venda de escravos, mais lucrativa.
Os navegantes portugueses no século XV também tinham chegado ao Brasil, que se converteu em sua única colônia na América, onde os africanos eram vendidos aos donos de plantações agrícolas para trabalhar no sistema escravista.
Dinamarqueses, franceses, holandeses e britânicos também assentaram seus pontos comerciais, protegidos por fortins contra os rivais europeus ou as sublevações da população autóctone.
O castelo de Elmira, construído pelos portugueses, servia ao mesmo tempo de armazem de escravos à espera de seu transporte a América. Na medida em que as potências europeias estabeleciam novas colônias nesse território e no Caribe, intensificava-se o comércio de escravos.
O comércio prolongou-se durante os séculos seguintes, em que milhões de africanos -homens e mulheres- foram arrancados violentamente das áreas ocidentais do continente, num tráfico desumano e atroz.


REINO UNIDO

Em 1821, Reino Unido impôs seu poderio naval e apoderou-se de toda a costa. Duas décadas mais tarde, em 1844, subscreveu um tratado com o rei dos ashantis, a tribo que tinha resistido com mais vigor à penetração europeia. Os acordos assinados com as metrópoles eram papéis inservíveis, pois foram esboçados com total desfaçatez.
Tanto o era que uns trinta anos depois, em 1874, Londres estabeleceu formalmente ali sua colônia da Costa do Ouro e mais tarde ocupou, violando o convênio, o reino dos ashantis e impôs no norte do país o Protetorado Britânico.
A ocupação britânica reforçou a opressão colonial, tal como sucedia nas demais posses. Eram pisoteados os direitos dos nativos, que viam partir para a metrópole suas riquezas enquanto sumiam numa contínua pobreza.
Em 1922, após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), depois da derrota de Alemanha, a parte ocidental de sua colônia do Togo passou às mãos britânicas e sua administração recaiu na Costa do Ouro.
Os domínios germânicos na África foram repartidos entre Reino Unido e França, o que significou o fim da presença colonial da Alemanha no continente.
Seguiram longos anos de exploração com ênfase especial no monocultivo do cacau, sob o controle de capitais britânicos e outros europeus. O país padecia um marcado atraso econômico, educacional e sanitário, com um alto índice de mortalidade.
Essa situação provocava o descontentamento popular e, alarmados, os colonialistas admitiram, em 1946, aos africanos no governo da Costa do Ouro, ainda que sem o resultado que esperavam.



KWAME NKRUMAH

Nkrumah (1909-1972) foi o homem que sintetizou as aspirações libertárias do povo e sua posição anticolonialista era conhecida entre os grupos partidários da independência.
Em 1947, fundou o Partido Convenção Unidade da Costa do Ouro, que tinha como objetivo canalizar a luta contra o domínio do Reino Unido e conseguir para seu país uma vida política independente.
A resposta das autoridades foi mandá-lo às masmorras coloniais. Seu encarceramento provocou irados protestos. Depois, nada seria igual para a coroa britânica, obstinada em manter um sistema repudiado na África e no mundo.
Após sua prisão em 1949, Nkrumah, à frente dos elementos mais progressistas do agrupamento constituiu o Partido Popular da Convenção e iniciou uma aberta oposição ao predomínio colonial. Durante 1950 e 1951, desenvolveu-se uma intensa campanha de resistência cívica, conhecida como ação positiva.
Nkrumah foi novamente encarcerado. Seu partido lutava pela unidade nacional e a luta contra a opressão. Numerosas manifestações públicas foram duramente reprimidas pelas tropas britânicas deixando saldos elevados de vítimas.
Os colonialistas viram-se obrigados a ceder. A pressão popular forçou a celebração de eleições gerais para uma Assembleia Legislativa. Do cárcere, Nkrumah obteve o triunfo de seu Partido por significativa maioria e libertado formou o governo. Em 1952, converteu-se em primeiro-ministro.
A parte ocidental do Togo, administrada desde 1922 pela Costa de Ouro, pediu a união ao país. Quando em 1957, se obteve a independência, o Estado adotou o nome ancestral de Gana. Ao proclamar-se a República, Nkrumah foi eleito presidente. Seu legado de luta não é esquecido em seu país nem na África.

Fonte: Pravda


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Mito de Hórus


Hórus é um dos deuses egípcios mais conhecidos. Como as antigas divindades egípcias eram antropozoomórficas (deuses que misturam características humanas e de animais), Hórus é conhecido como o deus-falcão. Por isso, simboliza o Sol, os céus e, desde o Antigo Egito, é um símbolo da realeza divina e o protetor do faraó reinante. No decorrer da história egípcia, Hórus foi pessoalmente identificado com o faraó, talvez porque o falcão podia voar através dos céus a grandes alturas e vigiar o império. Hórus também é associado a Rá, o principal deus egípcio do Sol, da vida e da criação.

Hórus era filho do rei Osíris com a rainha Ísis. A história de morte e ressurreição de seu pai simbolizava a imortalidade e o triunfo do Bem sobre o Mal. De acordo com o mito, Osíris era tão poderoso e estimado, que provocou ciúmes em seu irmão Set, que o assassinou e esquartejou, espalhando seus pedaços.

Ísis e sua irmã Néftis procuraram e juntaram pacientemente os pedaços de Osíris. Com a ajuda do deus Thot, a deusa Ísis conseguiu reconstruir seu corpo e o ressuscitou. Juntos, conceberam Hórus. 

Ao  tornar-se adulto, Hórus vingou a morte do pai, destronando Set e convertendo-se no novo rei do Egito. Na batalha, porém, Set arrancou um olho de Hórus, mas Thot o reconstituiu e este passou a ser um amuleto e símbolo de proteção muito popular até hoje. Os faraós reinantes eram associados a Hórus, enquanto os falecidos eram associados a Osíris.

A batalha entre Hórus e Set também representa a dualidade entre Luz e Trevas, Dia versus Noite, Fertilidade contra Aridez.

Olho de Hórus, também conhecido como udyat, é um símbolo que significa poder e proteção. O olho de Hórus era um dos amuletos mais importantes no Egito Antigo, e representação de força, vigor, segurança e saúde.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Roteirista de Dear White People agradece ao boicote em massa

Repercussão negativa do trailer da série produzida pela Netflix faz milhões de usuários do serviço de streaming cancelarem suas assinaturas.

A série Dear Wihite People ainda nem estreou é já gerou polêmica ao liberar seu primeiro trailer. Baseada no filme de mesmo nome (no Brasil conhecido como Cara Gente Branca) a adaptação produzida pela Netflix conta a história de um grupo de estudantes negros que enfrentam diariamente o preconceito racial dentro de uma universidade predominada por alunos brancos. Estes satirizam os negros através da prática da blackface, na qual pessoas brancas pintam seus rostos de preto como forma deboche.
Na semana passada, foi liberado oprimeiro teaser e em questões de minutos já choveram críticas negativas. Muitos usuários cancelaram suas assinaturas do Netflix como forma de protesto a uma série que promove o genocídio aos brancos.
No YouTube, o teaser já passa dos 4 milhões de visualizações, e mais de 380 mil usuários o marcaram com um "não gostei". Segundo o IMDB (Internet Movie Database), a série recebeu a nota 6,3, que se comparada com as demais é uma nota bem inferior.
Justin Simien, diretor do filme e roteirista da adaptação para a Internet, usou sua página no Facebook para agradecer e responder a todos que cancelaram suas assinaturas por considerarem Dear White People como uma série anti-brancos:
“Obrigado por me ajudarem a fazer o teaser da série se tornar o vídeo mais visto na história da Netflix!”
“A igualdade se sente como opressão aos privilegiados e, portanto, três palavras benignas devem enviá-los em uma luta por sua própria existência, mas eles não estão em perigo real. Qual é o meu papel como artista? Criar histórias. Histórias nos ensinam empatia. Eles nos colocam nas peles de outras pessoas. Todo o nosso conceito de realidade é baseado em histórias. Então conte a sua história. Diga a verdade inconveniente. É a única coisa que nos salvou”., declarou.
Dear White People tem co-produção da Lionsgate Television (a mesma das premiadas Orange Is The New Black e Mad Men: Inventando Verdades) e estreia no dia 28 de Abril na Netflix. Serão 10 episódios com a atriz Logan Browning, interpretando a protagonista Samantha White, e o ator Brandon P. Bell, repetindo o personagem Troy Fairbanks do filme.
Fonte: Blasting News

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Quando o cabelo afro interfere nas oportunidades de emprego das mulheres Negras

Natália Eiras
Do UOL, em São Paulo

Há quem diga que não existe racismo no Brasil. Que a miscigenação fez o povo brasileiro ser muito mais tolerante com relação às diferenças étnicas. Algumas mulheres que ostentam o cabelo black power ou penteados típicos da cultura negra não concordam com isso, principalmente no mercado de trabalho.
Dona de fios crespos e armados, Dayane Rodrigues, da cidade de São Paulo, narrou nesta segunda-feira (16/11/2015), em seu Facebook, o tipo de situação que as negras passam frequentemente durante uma entrevista de emprego. "Eles sequer olharam para o meu currículo. Só mandaram um: 'Com este cabelo você não vai ser contratada'". 
Na semana da Consciência Negra, o UOL buscou alguns depoimentos de mulheres que já sofreram preconceito no ambiente de trabalho por causa do cabelo afro: 

  • Arquivo pessoal



    "Black não condiz com sua formação"

    "Já ouvi diversas vezes que meu cabelo não condiz com a minha formação. As pessoas não esperam que uma mulher negra seja formada em administração e muito menos que ela use black. Já aconteceu em um processo seletivo o entrevistador com o meu currículo na mão chamar o meu nome e, ao me ver levantando, dizer: 'Não chamei você. Chamei a Kelly'". (Kelly Cristina Nascimento, 29 anos, de São Paulo (SP)

  • Arquivo pessoal


    "Faz chapinha para ver os clientes"

    "Em 2012, fui trabalhar como analista de social media em uma agência e eventualmente teríamos que visitar clientes. O dono da agência disse que, quando eu fosse falar com os clientes, eu deveria fazer chapinha. Na época, eu não tinha a noção de que isso era uma demonstração clara de racismo". (Taís Oliveira, 25 anos, de Guarulhos (SP).

  • Arquivo pessoal


    "Boa aparência"

    "Uma amiga arrumou para mim um emprego de babá. Ela contou para a contratante que eu tinha cabelo cacheado e a mulher perguntou se ele era 'para o alto'. A contratante pegou, então, o meu contato e viu a minha foto no Whatsapp. Mas, por causa da química que eu usava na época, o meu cabelo caiu e tive que cortá-lo bem baixinho. Quando cheguei na casa da família, a mulher ficou em choque e a primeira coisa que perguntou foi o que tinha acontecido com o meu cabelo. Depois, ela disse que tinha gostado do meu currículo, mas que a aparência também contava porque eles eram da alta sociedade, frequentavam lugares importantes e que, provavelmente, eu também iria. Ela tinha seis funcionários na casa: cinco eram negras e o motorista branco. Todas as negras tinham o cabelo liso" (Dayana da Silva Santiago, 27 anos, de Itaguaí (RJ)

  • Arquivo pessoal


    "Perfil da empresa"

    "Em uma entrevista individual, me perguntaram se eu poderia alisar o cabelo e pintá-lo. Eu disse que não e eles me dispensaram. Em uma loja de sapatos, já ouvi que não fazia o perfil da empresa -- o lugar não tinha vendedores negros. Em um shopping, deixei o meu currículo e não deixaram eu fazer entrevista, porque eles tinham um limite de pessoas por dia. Eu tinha sido a primeira a chegar" (Jéssica Caroline da Silva Conceição, 23 anos, de Duque de Caxias (RJ)

  • Arquivo Pessoal


    Mas há esperança no mundo...

    "Em 2012, estava precisando loucamente trabalhar. Consegui uma entrevista e ao sair, minha mãe questionou o fato de eu sair com o black power solto e com uma flor rosa choque. Ao chegar na empresa, a supervisora me olhou de cima abaixo com uma expressão que achei que era 'ruim'. No fim, ela me contratou dentre vários candidatos bem mais qualificados porque, segundo ela, eu tinha 'muita atitude para assumir minha cor e principalmente meu cabelo'" (Débora Andrade, 32 anos, de São Paulo (SP)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A importância de Pantera Negra para o cinema


O elenco do filme Pantera Negra, que tem data de estreia no Brasil prevista para o dia 15 de fevereiro de 2018, dá uma lição ao mundo inteiro: é possível fazer uma grande produção cinematográfica, com um elenco majoritariamente Negro, sem ter a escravidão ou o racismo como foco principal. 

 Segundo a sinopse oficial liberada pela Marvel Studios:
"Pantera Negra acompanha T'Challa que, após os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil, decide voltar para casa - a isolada e tecnologicamente avançada nação africana de Wakanda - e assumir sua função como Rei. Porém, quando um antigo inimigo reaparece, sua coragem é testada quando ele é levado para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco."

Deve-se ressaltar também a excelente escolha do diretor Negro Ryan Coogler (de Creed, Nascido Para Lutar) para o filme, que tem uma ligação direta com a escolha do elenco. A equipe por trás das câmeras (direção, roteiro, produção, entre outras) é tão ou MAIS importante para a variedade de temas do que a própria escolha dos atores e atrizes. A quantidade insuficiente de diretores/as e roteiristas Negros/as pode ser apontada como uma das inúmeras causas para a falta de representatividade e diversidade no cinema, bem como em outras mídias, ao longo da história, fato que finalmente está mudando no século XXI.

Esperamos que o filme trate questões como ancestralidade e respeito às tradições africanas, já que está na própria composição do personagem nos quadrinhos, em que o manto do Pantera Negra é passado hereditariamente, junto com a Coroa de Wakanda. Também contamos com uma visão fora do senso comum em relação à África, pois a terra do Rei T'Challa é uma das nações mais ricas e desenvolvidas do mundo. 


A responsabilidade de Pantera Negra para o cinema é do tamanho das expectativas!

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O "Cidadão de Bem"


Eu costumo dizer que as pessoas só mostram quem realmente são na hora da raiva, que é quando falam sem o filtro das conveniências sociais. Vivemos tempos perigosamente complicados, exacerbados pela polarização política decorrente das últimas eleições presidenciais e dos seus desdobramentos no país, com a interrupção abrupta do mandato de Dilma Rousseff, mas nem pretendo entrar no mérito de se foi "golpe" ou "impeachment". Meu objetivo aqui é outro.

As divergências político-ideológicas entre "esquerda" e "direita" no Brasil são só um pano de fundo para um problema bem maior. No afã de atacar o grupo ideológico oposto ou defender o seu próprio, as pessoas estão ultrapassando todos os limites, esquecendo a empatia, a solidariedade, o respeito ao ser humano e a manutenção de direitos básicos históricos. Chegam ao absurdo de dizer que os direitos humanos são "coisa da esquerda".

Hoje, Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, e que nunca ocupou nenhum cargo público, foi internada em estado grave, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Nas reações das páginas dos principais jornais no Facebook, muitos "cidadãos de bem" colocaram símbolos de gargalhadas e corações (o "Amei"). O "cidadão de bem" não viu uma mulher nas notícias, mas, tal qual um touro das arenas espanholas, só enxergou uma bandeira vermelha, transferindo pra ela todas as suas frustrações partidárias. As reações às recentes rebeliões nos presídios também costumam ser as mesmas.

Cada vez mais, confunde-se justiça com vingança. Vejo o típico "cidadão de bem" repetir o mantra de que "bandido bom é bandido morto" (bem, sabemos de que "bandido" ele está falando...), aplaudir chacinas e defender (ou participar de) linchamentos nas redes sociais. Vejo esse mesmo cidadão responsabilizar as mulheres vítimas de algum tipo de violência sexual, julgando suas roupas ou seus hábitos. O "cidadão de bem" não se importa com os episódios de racismo que aparecem na mídia e regozija-se ao ver casos explícitos de homofobia, citando sua bíblia pra dizer que "homossexualidade é abominação" nos cultos ou missas que sempre frequenta e, por isso, costuma ver uma justificativa para as agressões e assassinatos que as pessoas LGBT sofrem, apesar de nem sempre concordarem publicamente.

O "cidadão de bem" não acredita em ressocialização nenhuma e acha, erroneamente, que desejar um tratamento adequado nos presídios significa "defender vagabundo". Não é nada disso! Quem comete crimes deve pagar, pelo período descrito no Código Penal, respeitando a Constituição e os Direitos Humanos, para que possa se regenerar, salvo em algumas exceções. Para muitas pessoas, o ideal seria trancar todos, sem distinção entre penas leves ou pesadas, e jogar a chave fora, esquecendo que, um dia, os presos vão voltar pra sociedade. 

Pode parecer duro, mas é preciso dizer: quando você defende a agressão ou morte de pessoas, quando apoia qualquer tipo de discriminação, supostamente amparada pela sua religião ou se sente feliz pela doença de alguém, só porque as opiniões desta pessoa são diferentes da sua, fica impossível separar o "cidadão de bem" do "criminoso" que tanto ataca.